Marco e a filha Carolina, moradores da zona de Pé de Cão, em Coimbra, decidiram permanecer em casa apesar do alerta máximo de cheias no rio Mondego, confiantes de que a água não entrará no seu lar.
“Se não for obrigado, não vou sair de casa. A minha casa foi uma das que em 2001 e em 2006 não foi atingida pela água. Tenho esperança que aconteça a mesma coisa”, afirmou Marco, explicando que a residência é considerada pelos antigos da região como uma das que habitualmente não sofre inundações.
Apesar da proximidade dos diques e do risco crescente, Marco mantém-se vigilante e preparado. “Já temos tudo preparado. Tenho animais – cinco ao todo – e a logística seria um pouco mais difícil se tivéssemos de sair, mas estamos atentos e prontos para agir”, disse.
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Quando questionado sobre se optaria por sair caso fosse necessário, acrescentou: “Tenho familiares, e a maioria das pessoas está a optar por ir para casas de familiares. Acho que é a melhor solução, sobretudo porque também podemos levar os animais.”
A filha, Carolina, de 19 anos, revelou que a preocupação é constante. “Claro que tenho medo. São as nossas casas, os nossos bens e os nossos animais. Mas no fundo, é ficar para proteger o que é nosso.”
A família sublinhou ainda a solidariedade da comunidade local. “Aqui é uma comunidade. Se tivermos que nos ajudar uns aos outros, nós ajudamos, como já aconteceu em 2006. Vai ficar cá mais gente, com certeza”, disse Marco.
Apesar da apreensão, Marco e Carolina mantêm uma atitude positiva e vigilante. “É uma noite sem dormir com certeza, mas vamos estar atentos para saber o que se vai passando. Temos sempre a esperança de que não aconteça o pior”, concluiu Marco.
A situação na região continua a ser acompanhada pelas autoridades, com planos de evacuação preventiva para as áreas mais vulneráveis caso os diques do Mondego cedam, garantindo apoio a moradores, incluindo transporte de animais de estimação, se necessário