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Doentes já estão a ser tratados com canábis de Cantanhede

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Alguns doentes já começaram a ser tratados com a primeira substância à base da planta da canábis para fins medicinais à venda nas farmácias, mas ainda há muitos farmacêuticos e médicos com pouca informação sobre esta terapêutica.

“Temos sido contactados por profissionais de saúde que necessitam de alguns esclarecimentos adicionais, o que é normal, dado ser uma terapêutica recente e uma área completamente nova, e temos conhecimento que já existem doentes portugueses a ser tratados com esta substância um pouco por todo o país”, afirmou a diretora-geral da Tilray Portugal, Rita Barata, numa resposta escrita à agência Lusa.

Após 15 dias da comercialização nas farmácias do produto que consiste em flores secas da planta ‘Cannabis sativa’ L com 18% de tetrahidrocanabinol (THC) e <1% de canabidiol (CBD), a diretora-geral da empresa instalada em Cantanhede, no distrito de Coimbra, faz um balanço “bastante positivo”, apesar de considerar que é “ainda prematuro uma análise mais detalhada”.

Paralelamente à disponibilização do produto, a empresa está a desenvolver “um conjunto de formações a profissionais de saúde com o propósito de esclarecer e facultar informação técnica e científica nesta área”, tendo a mais recente ocorrido na quarta-feira com mais de 250 profissionais da saúde especializados em diversas áreas como dor, neurologia, paliativos e oncologia.

Contactada pela Lusa, a presidente da Associação Portuguesa de Informação sobre Canábis (APCANNA), Soraia Tomás, adiantou que, desde que o produto foi aprovado, a associação tem recebido vários pedidos de informação acerca das possibilidades de prescrição e de locais onde possa ser facultado o acompanhamento.

“O que nós fazemos é orientar os pacientes”, disse a presidente da associação, que tem como um dos objetivos “a promoção da saúde pública através do acesso seguro e legal da canábis”.

A associação também pretende organizar, promover e divulgar ações de educação, formação e informação, “uma vez que não apenas pacientes, mas muitos farmacêuticos e profissionais de saúde não têm conhecimento acerca do produto autorizado, nem da própria planta ou do sistema endocanabinóide, o que limita em grande parte a sua prescrição e aconselhamento”.

“Ainda existe muito estigma e preconceito à volta deste tema e é crucial educar, formar e informar a sociedade”, defendeu a enfermeira.

Numa circular informativa, datada de 12 de abril de 2021, a que a Lusa teve acesso, a Associação Nacional de Farmácias esclarece os farmacêuticos sobre diversas questões no âmbito da prescrição, dispensa e necessidade de registos associados a este tipo de medicamentos.

“Perante uma dispensa de Tilray Flor Seca THC 18 (5807870), é necessário, para a administração, um dispositivo médico com marcação CE e aprovado para o efeito, que é adquirido em separado”, lê-se na circular, sublinhando que no atendimento, deve proceder-se “ao registo de dados do adquirente”.

O produto, que é comercializado em sacos de 15 gramas por cerca de 150 euros, foi aprovado pelo Infarmed para ser utilizado em casos de espasticidade associada à esclerose múltipla, náuseas e vómitos que podem resultar, por exemplo, de tratamentos de quimioterapia, estimulação do apetite em doentes oncológicos ou com sida, dor crónica associada a doenças oncológicas ou ao sistema nervoso, Síndrome de Gilles de la Tourette e glaucoma.

Para Soraia Tomás, a lista das sete indicações aprovadas pelo Infarmed já em 2018 é “bastante limitante”, lamentando ainda a prescrição desta substância estar ainda reduzida “apenas aos casos” em que se determine que os tratamentos convencionais não estão a produzir os efeitos esperados ou provocam efeitos adversos relevantes.

“Na minha opinião, é um pouco ridículo porque é utilizado em última linha de tratamento quando se calhar devia ser das primeiras”, defendeu a enfermeira.

Relativamente ao produto autorizado, Soraia Tomás disse que tem “um elevado teor de THC”, não podendo ser prescrito, por exemplo, para a epilepsia, esperando por isso que o Infarmed aprove “o mais brevemente possível outro tipo de formulações” que se possam “adaptar às diferentes necessidades de cada um”.

Apesar de ainda existir “um longo caminho a percorrer”, Soraia Tomás considera que já foi dado “um grande passo”.

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