Justiça
Discussão por telemóvel desencadeia tragédia: “Mimi” vítima de tiro mortal no Palácio do Gelo
Imagem: Facebook
O julgamento do homem acusado de matar Josefa Canhoto Rosa, conhecida como “Mimi”, no centro comercial Palácio do Gelo Shopping, em Viseu, começa esta quarta-feira, 11 de março, no Tribunal de Viseu.
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O crime ocorreu a 27 de dezembro de 2024, quando a vítima, de 43 anos, foi ao centro comercial em Viseu para fazer compras com vários familiares. No grupo estavam o companheiro, uma irmã, um cunhado e três sobrinhas, de 5, 16 e 23 anos. A sobrinha mais velha encontrava-se também com o namorado e o filho de ambos, um bebé de três anos.
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Segundo a acusação do Ministério Público, o grupo acabou por se separar durante as compras. Já no átrio exterior do centro comercial, a jovem de 16 anos envolveu-se numa discussão com a mãe depois de esta se recusar a comprar-lhe um telemóvel topo de gama. A discussão chamou a atenção de duas mulheres que passavam no local — a companheira e a irmã do arguido, Jesus da Silva Monteiro.
De acordo com a investigação, citada pelo Correio da Manhã, as provocações entre as duas famílias escalaram rapidamente para agressões físicas. A rixa acabou por envolver vários homens dos dois grupos, até então desconhecidos, tendo sido usadas uma barra metálica, ripas de madeira e até uma pedra.
Após os confrontos, o arguido, de 26 anos, terá abandonado o local de carro e seguido para um acampamento em Teivas, a poucos quilómetros dali, onde foi buscar uma pistola de 6,35 milímetros. Regressou depois ao centro comercial e começou a disparar contra os familiares de “Mimi”.
A acusação descreve que, nesse momento, Josefa Canhoto Rosa tentou defender os familiares. “Josefa aproximou-se do arguido, que estava de costas, e agrediu-o na cabeça com uma bolsa que trazia a tiracolo”, refere o Ministério Público. Em resposta, o suspeito disparou um tiro que atingiu a vítima no peito, a cerca de um metro de distância, provocando-lhe a morte.
Depois do primeiro disparo, o homem voltou a atirar na direção de outros familiares da vítima enquanto se dirigia para o carro, ferindo várias pessoas antes de fugir do local.
O suspeito permaneceu 11 dias em parte incerta, até se entregar à Polícia Judiciária, na diretoria do Centro, a 7 de janeiro de 2025. Desde então encontra-se em prisão preventiva.
No processo, o arguido responde por sete crimes de homicídio qualificado: um consumado, relativo à morte de Josefa Canhoto Rosa, e seis na forma tentada, dirigidos a quatro adultos e dois menores. Está ainda acusado de detenção de arma proibida, por não possuir licença de uso e porte de arma, e de condução perigosa de veículo rodoviário.
O julgamento deverá agora esclarecer os contornos do caso que chocou a cidade de Viseu no final de 2024.
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