Coimbra
Dique rebenta, A1 cortada e resgate em Coimbra. Situação em Montemor-o-Velho pode durar dias
O Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil confirmou o resgate de quatro pessoas que ficaram isoladas numa exploração agrícola após o rebentamento de um dique na região do Mondego.
Apesar de ter sido acionado um helicóptero, o salvamento acabou por ser realizado por via fluvial, com o apoio dos fuzileiros da Marinha Portuguesa.
Carlos Luís Tavares, comandante sub-regional, explicou que o alerta surgiu depois da rutura da infraestrutura. “Recebemos uma chamada de quatro pessoas que estariam isoladas ali na zona de umas estufas agrícolas. Aquilo que fizemos foi deslocar meios para o local, bombeiros, e deparámo-nos que a situação era uma situação de risco, que não estávamos a conseguir ter acesso”, afirmou.
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Perante a subida do nível da água, as autoridades optaram por mobilizar todos os recursos disponíveis. “Para jogar pelo seguro, fizemos logo o acionamento também do meio aéreo, uma vez que a corrente naquele local estava a aumentar e as pessoas estavam a dizer que já tinham água nos pés”, acrescentou.
Os fuzileiros acabaram por localizar e retirar as vítimas — quatro pessoas, dois cães e um gato — que “estão a salvo” e foram encaminhadas para observação pelo INEM, refere.
A rutura do dique levou ainda ao corte da A1 entre Coimbra Norte e Coimbra Sul, numa decisão descrita como preventiva. Segundo o responsável, “a ponte é segura, não tem qualquer tipo de problema”, mas há “uma zona de corrente que está a provocar alguma erosão na zona dos pilares e por uma questão de segurança, decidimos logo de imediato cortar a A1”.
A reabertura da via dependerá de avaliações técnicas: “Não queremos arriscar que haja um abrir sem que sejam avaliados os pilares.”
O posto de comando deverá ser transferido para Montemor-o-Velho, zona que poderá sentir maior impacto da cheia. “Vamos montar ali o posto de comando […] e comandaremos a operação a partir dali, de forma a que se possa minimizar o impacto”, disse.
Carlos Luís Tavares sublinhou que os meios já tinham sido posicionados antecipadamente, uma vez que o cenário era previsível: “Nós sabíamos que isto iria acontecer se atingíssemos o limite da obra. Atingimos o limite da obra, colapsou, felizmente parcialmente.” O comandante garante que a situação será acompanhada de perto, com monitorização constante e preparação para uma resposta rápida.
Com previsão de mais precipitação e caudais elevados no Mondego, o responsável deixou um aviso claro à população: “Mantenham-se atentos ainda, vem muita precipitação, ainda temos caudais fortes no Mondego.”
O caso das pessoas isoladas serve, segundo o comandante, como alerta para a necessidade de reforçar a cultura de segurança. “Não arrisquem, mantenham a segurança. Não queremos perder ninguém”, frisou, lembrando que bombeiros e fuzileiros “arriscaram a sua vida”.
A vigilância deverá manter-se pelo menos até sábado, altura em que se espera alguma melhoria do estado do tempo. No entanto, o impacto em Montemor-o-Velho poderá prolongar-se: “Se calhar vamos estar ali numa operação […] oito, dez, quinze dias, porque esta massa de água demora o seu tempo a chegar lá abaixo e depois demora a saída dali.”
As autoridades pedem, por isso, atenção máxima nos próximos dias, garantindo que todos os esforços estão a ser feitos para proteger pessoas e bens.