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Cinema

 Diogo Morgado acredita que o cinema português pode ser menos monocórdico 

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O ator português Diogo Morgado estreia, na quinta-feira, a longa-metragem “Irregular”, que realizou e com a qual quer contribuir para que o cinema português seja menos monocórdico, como contou em entrevista à agência Lusa.

“Irregular” é a terceira longa-metragem realizada por Diogo Morgado, 40 anos, cujo trabalho é conhecido pela representação em cinema, mas sobretudo em televisão, em telenovelas e séries de ficção.

A nova longa-metragem, que conta com argumento de Diogo Morgado e do irmão, Pedro Morgado, é um drama de ação protagonizado pelo ator Pedro Teixeira, no papel de um homem que tenta desesperadamente encontrar a filha que diz ter sido raptada.

“Eu e o meu irmão queríamos um filme que começasse por um soco no estômago. Não há nada pior do que nos tirarem alguém da nossa família. (…) Queríamos criar um ‘puzzle’ que, a cada dez minutos, surpreendesse o espectador. Não queríamos criar um filme visualmente dinâmico, mas emocionalmente muito dinâmico em que o espetador não soubesse muito bem onde parar, onde estacionar”, explicou.

“Irregular” deveria ter chegado aos cinemas em março de 2020, mas com a pandemia da covid-19 a estreia foi empurrada para agora, e Diogo Morgado considera que este adiamento permite mais leituras sobre os desenvolvimentos da narrativa ficcional.

Diogo Morgado volta a apresentar-se como realizador numa altura em que acaba de estrear uma nova novela na TVI, intitulada “Para Sempre”, e terminou a rodagem de uma série para a RTP na qual interpreta o papel do cronista do século XV Fernão Lopes.

À agência Lusa, Diogo Morgado, realizador, explica que “Irregular” é o tipo de filme com o qual ele e o irmão se identificam, em termos de ligação entre ação e emoção, depois de ter experimentado comédia, em “Malapata” (2017), e ficção científica, em “Solum” (2019).

“O que me importa é que a pessoa que der o privilégio de comprar um bilhete para ver esta história esteja curiosa pela história e que saia satisfeita. Toda a minha expressão pública tem de vir pelo que faço e não pelo que sinto”, sublinhou.

O filme foi produzido pela SLX Productions, que criou em 2016 com o irmão, e faz questão de dizer que “é cinema independente no mais puro das palavras”: “Não temos um cêntimo do Estado, isto é, tudo dinheiro e investimento privado, de apoios à produção, de entidades, de câmaras, de empresas privadas que apoiam com produto ou serviços, mas de resto é tudo independente”.

Enquanto realizador e produtor, Diogo Morgado quer acrescentar outros valores ao panorama do cinema português, cuja qualidade elogia, embora aponte um desfasamento com o público.

“A sétima arte em Portugal está viciada e também está viciada do ponto de vista do público. […] Se não for a comédia ultra ligeira é o filme de asneiras e sexo. Os únicos filmes que têm tido expressão de bilheteira são sempre nestes dois campos. Achamos que o cinema está monocórdico e que está subsidiodependente. Acreditamos que é possível começar uma luta e uma conversa de nem uma coisa nem outra”, opinou.

E acrescenta: “Ou seja, os filmes que só têm expressão na bilheteira são esses dois. Não quer dizer que só existam esses dois tipos de filme. O que fazemos tem o foco único e só no público, e, portanto, é trazê-lo para outros géneros que não sejam só o da comédia ligeira ou o do sexo e das asneiras”.

O realizador pede, por isso, mais oportunidades para o cinema independente, “vulgo comercial”, porque “há público para ele”.

Diogo Morgado, cuja carreira profissional ganhou outro fôlego internacional em 2013, quando encarnou o papel de Jesus na série norte-americana “The Bible”, admitiu que o que lhe interessou desde sempre no cinema e na televisão foi olhar mais para a história do que para a representação.

“Desde criança, onde me senti verdadeiramente fascinado nunca foi pela representação, o que nos impacta mais é o todo numa história. Ao desenvolver o meu trabalho, nunca escondi o fascínio total que tenho pela história no seu todo”, contou.

Reconheceu que a morte do ator e realizador Nicolau Breyner, em 2016, o fez refletir se não deveria adiar novos caminhos e prosseguir com essa vontade de também criar e contar histórias.

“Eu seria alguém profundamente desinteressante e a minha vida seria quase nada se não tivesse sido salvo por histórias”, frisou.

E recua no tempo para o justificar: “Era muito miúdo quando vi pela primeira vez um filme chamado ‘Forrest Gump’ e o filme mudou a minha vida. Tocou-me em sítios que não sabia explicar e vivi a minha vida toda a tentar perceber o porquê”, afirmou o realizador, que, entre referências, cita Robert Zemeckis, Christopher Nolan, David Lynch e George Lucas.

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