Opinião

Diga, senhor Meirinho?

Opinião | Amadeu Araújo | Amadeu Araújo | 3 meses atrás em 13-01-2024

O ano de 2024 começa negro para a imprensa portuguesa. Toda ela, incluindo esta onde escrevo, salva das agruras pela boa, e honesta, teimosia do seu Diretor, apesar do ranço dos atiradores furtivos, condoídos com dores alheias, carregando cruz de ferro nas catacumbas. Duas caras, como o feijão frade, corregedoria que atrapalha e sabota informação livre que nos faz pensar.

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Performativos jogos de luz e sombra, e no meio desse caminho, o empresariado que reclama o fim da progressividade do IRC e pede taxa única de 18,6%. E, dizem, com isso crescemos. Já dos salários miseráveis e da frota de milhão à porta da fábrica, nem uma palavra.

Novas exposições, em fim-de-semana de urros e berros, coreografia traçada a vernáculo, nós os bons, eles os maus. Haveremos de ir à Ponte da Misarela, e a Viana, nessa grande intimidade com o território e a comunidade. E ainda ouço o diretor-geral das Artes, na Pampilhosa da Serra, a botar faladura sobre cultura nos territórios de baixa densidade, “discriminação positiva de apoio, intervindo onde é preciso”.

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Américo Rodrigues, de quem me tomo como amigo, insistiu no envolvimento das comunidades, não como figurantes, mas como autores ou atores, o que não nos deixam ser na vida real. A cultura que nos torna críticos e livres.

Tudo isto, e muito mais, faz parte do amplo ecossistema português, ora inquieto e pasmo, ora avassalador e tumultuoso.

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Navegando ao país, dando as boas-vindas aos novos conselheiros, houve inovação no Supremo Tribunal de Justiça. O presidente e quarta figura na hierarquia desta República, rompida de fronteiras, avisou: “tenham cuidado, que os populistas e os extremistas andam por aí”.

Eu, sectário de barba insonsa, pergunto. Se o Constitucional autorizou, com que brados coartamos a livre escolha dos eleitores? Ademais, não querendo mordaça na boca e grilhetas nos dedos, anoto discurso, dos perigos que as democracias enfrentam atualmente. Um cardápio de construção civil: erosão, desgaste, declínio…Tudo riscos, de “gente tentada a querer controlar ou condicionar a ação dos tribunais e dos juízes”. Os juízes são a Soberania, os tribunais a Justiça, os deputados, em quem votamos, os fazedores de leis. Ou voltámos ao tempo do medo? “Aventuras legislativas que podem comprometer a independência dos tribunais e o regular funcionamento da Justiça”? Mas o poder legislativo não tem livre-arbítrio? Precisamos de tutela? Eis o fundamental da experiência humana nesta República, que descura sociedades ricas, diversificadas e inteligentes.

O fortalecimento da identidade nacional, integrada na União Europeia é o respeito pelo Estado de Direito. E nisso estamos todos alinhados, nessa importância estratégica, indiscutível para o enriquecimento dos cidadãos, neste cinquentenário de Abril.

Sem medos, nem tibiezas. É a nossa missão, de homens livres, continuar firmes neste propósito.

OPINIÃO | AMADEU ARAÚJO – JORNALISTA

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