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Diário As Beiras recusa publicação de carta de Marcelo para Machado

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Marcelo Nuno envia “Carta aberta ao Dr. Machado” , através do Facebook, onde faz uma referência indirecta à célebre “Carta de Marta”. A missiva é ilustrada com uma imagem onde se pode ler: “o artigo que o diário As Beiras não quis publicar “por equidade de espaço”.

Notícias aguarda resposta de Manuel Machado e promete publicar toda a correspondência enviada pelos protagonistas daquela que já é conhecida como a guerra das águas para a vindima.

Caro Dr. Manuel Machado,

Sei que está acostumado a receber cartas abertas em vésperas de eleições, embora esta não seja tão apaixonada e elogiosa como a que recebeu há 12 anos. Contudo, como verá, as palavras que lhe quero dizer são muito mais rigorosas e objectivas – o que tem as suas vantagens.

A candidatura do Dr. Manuel Machado respondeu esta semana com muita ira e pouca ou nenhuma objectividade ao conjunto de factos e estatísticas que aduzi para mostrar o seu profundo desconhecimento e preparação quando, na desenfreada caça ao voto, vai debitando ocasionalmente uns disparates.

Qualquer criança que tenha passado pelo Museu da Águas ou por qualquer dos programas de educação da AC tem informação mais consistente e estruturada que os seus ajudantes de campo. Por isso não vou sequer perder tempo com o conjunto de banalidades e inanidades que constam do documento (de uma suposta privatização ao “retrocesso civilizacional insuportável” imposto pelo malvado governo) e que mais não são mais do que um conjunto de jargões com o propósito de desviar a atenção do essencial e esconder a sua preparação e desconhecimento.

Regista-se contudo, a forma torpe e precipitada, como vão tecendo considerações e lançando insultos com uma boçalidade que há muito parecia esquecida na vida política de Coimbra.

Mas voltemos então aos factos.

Mostra-se a sua candidatura muito indignada com os 22% de perdas de água, prometendo mais um conjunto de vulgaridades, que podemos encontrar em qualquer panfleto (ou nos pacotes de açúcar do café).

Mandaria a honestidade intelectual referir que as perdas reais se situam nos 16,5% e que este nível é considerado perto do óptimo económico (isto é, o valor a partir do qual o custo a suportar pela diminuição de perdas é superior ao benefício decorrente da sua diminuição). Que a diferença para os 22% são consumos medidos, mas apenas não facturados, por razões de interesse público.

Confesso que, no meio do entusiasmo com que debitam as medidas a implementar, cheguei a imaginar que iriam propor a instalação de contadores nas bocas de incêndio, com a entrega da respectiva chave de segurança ao chefe dos bombeiros, para o caso de qualquer emergência…

Faltou dizer que este nível de perdas não tem qualquer repercussão nos custos a suportar, tendo em conta os contratos assinados entre o município de Coimbra e a AdP, mas para tal era preciso uma honestidade intelectual que, obviamente, os autores do seu comunicado não têm.

Mas permita-me que lhe diga que me surpreende este seu recente interesse por esta matéria. É que, enquanto foi presidente da CMC, nem sequer fazia o controlo de perdas (embora se saiba hoje que elas eram superiores a 40%!…) e deu instruções aos ex-SMASC para não se cobrar a água à câmara, impedindo assim qualquer intuito de racionalização de consumos que agora tanto o preocupam.

Mas o maior embuste do seu discurso consiste em tentar fazer passar a ideia de que, por incompetência de uns quantos, as coisas estão hoje muito pior que no seu tempo.

Ora, em 28 de Março de 2003, os experientes técnicos da AC escreveram um relatório que tem o título esclarecedor de ”Impacto resultante da falta de investimento no sistema primário de distribuição de água”.

Para além das questões relativas à rápida degradação da qualidade da água fornecida e do exponencial aumento das ineficiências (aqui sim, com desperdícios/aumento dos custos), o relatório refere-se ao “aumento do número de ropturas”, ao consequente “aumento das perdas” e à “sobrecarga das infra-estruturas de transporte”, que levam à “insuficiência do abastecimento ou a interrupções frequentes”. Prossegue dizendo que “este é o cenário mais realista se não houver entretanto um colapso brusco de qualquer órgão do sistema primário”.

Por falta de espaço hoje reproduzo apenas um pequeno parágrafo que ilustra a realidade de então:

“A mais importante conduta adutora do Sistema de Abastecimento tem 40 anos. Abastece 60.000 habitantes incluindo os HUC, Hospital Pediátrico, IPO. Apresenta sintomas de degradação grave e, sendo construída em materiais obsoletos a sua manutenção é difícil e muito demorada. Qualquer avaria mais prolongada provocará ropturas de abastecimento que poderão prolongar-se por vários dias afectando as zonas referidas.”

Hoje, a AC é consecutivamente a melhor empresa do sector e a que melhor serviço presta na opinião directa dos seus consumidores. Numa exaustiva avaliação da DECO a todos os sistemas de abastecimento em Portugal, Coimbra tem hoje a melhor água de torneira do país. A AC é hoje conhecida e respeitada no país e no estrangeiro. Tudo isto seria impensável (como se comprova) se V. Exa. não tivesse perdido as eleições em 2001.

Quero também dizer-lhe que, ao contrário do que furiosamente desejam os seus “muchachos”, o meu futuro pessoal e profissional não depende da sua vontade e muito menos do seu desempenho eleitoral.

E é por isso que lhe digo, com toda a tranquilidade do mundo e com a frontalidade que não costumam ter consigo, que o pior que podia acontecer a Coimbra era voltar atrás no tempo e deixar-se cair novamente no atavismo e no adormecimento em que mergulhou prolongadamente durante os seus reinados.

Seria voltar a encolher a ambição das suas gentes na pequenez das suas ideias e dos seus projectos. Seria esmagar de novo a capacidade criadora das suas instituições na arrogância e na impreparação de quem não vê além do seu próprio umbigo.

Andam por aí uns seus ajudantes de campo muito excitados com as sondagens encomendadas. Explique-lhes que quem decide é o povo e não eles e que a arrogância e a sobranceria se paga caro – como, 12 anos depois, parecem já não se lembrar.

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