Crimes
Detido maior pedófilo português a pouco mais de 60 km de Coimbra. PJ salva crianças do horror
Imagem: BBC
Sete anos depois de uma operação secreta que abalou redes globais de abusadores sexuais de crianças, a história é agora revelada pelo documentário Infiltrados na dark web, da BBC News Brasil em colaboração com a BBC Eye.
O filme acompanha investigadores do Brasil, Estados Unidos, Rússia e Portugal, que integram uma coalizão internacional dedicada a combater o abuso infantil na dark web.
Em 2019, a Polícia Federal do Brasil prendeu um homem conhecido online como Lubasa, responsável por administrar cinco dos maiores fóruns de abuso sexual infantil da dark web, uma parte oculta da internet acessível apenas com ferramentas específicas. Segundo a polícia, os fóruns tinham quase 2 milhões de utilizadores espalhados pelo mundo.
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A prisão foi mantida em sigilo por meses, porque os servidores de Lubasa continham informações que permitiam identificar outros abusadores e resgatar vítimas. “Ele era uma pessoa idolatrada por mais de 2 milhões de pessoas ao redor do mundo”, afirmou à BBC a delegada brasileira Rafaella Parca, integrante da coalizão.
Entre os colaboradores de Lubasa estava um português conhecido como Twinkle, principal responsável pelo fórum BabyHeart, descrito como um dos mais violentos da dark web. Segundo Greg Squire, agente do Departamento de Segurança Interna dos EUA, “Twinkle fornecia uma quantidade quase inacreditável de fotos e vídeos de abusos. Assistir alguém estuprar um bebé… não há nada de humano nisso.”
O Correio da Manhã escreve que Nuno Melo (‘Twinkle’) foi detido numa casa de uma zona remota de Águeda, onde morava com os pais, após uma noite de violação a dois meninos, de cinco anos. O pedófilo filmou e fotografou os abusos. M“Ele escrevia em diferentes idiomas e evitava compartilhar informações pessoais na rede”, explicou Squire à BBC. Hoje cumpre 21 anos de prisão.
Lubasa, por sua vez, cumpre atualmente 266 anos de prisão no Brasil. Com a sua captura, a polícia apreendeu os servidores que mantinham os cinco fóruns online, a maior apreensão de arquivos da dark web na história. Centenas de utilizadores foram identificados e presos em diferentes países.
Entre os casos solucionados graças à investigação de Lubasa, destaca-se o resgate de um menino de 7 anos na Rússia, que havia sido sequestrado e dado como morto. As pistas encontradas nos arquivos de Lubasa permitiram à polícia identificar o sequestrador, Dimitriy Kopylov, que foi condenado a 19 anos de prisão.
Para Rafaella Parca, a investigação é um ciclo contínuo: “A gente sabia que aquela prisão seria o início de outras coisas. O trabalho estava recomeçando a partir dali… Você muda a vida de uma criança, de uma família, e isso é indescritível”, relatou à BBC.
O documentário revela pela primeira vez detalhes da operação de 2019 e os desafios de investigar uma rede global de pedofilia na dark web, expondo a complexidade e a dimensão internacional do combate a estes crimes.