Saúde

Detetado novo vírus em morcegos. Será que estamos perante a próxima pandemia?

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 04-02-2026

Imagem: depositphotos.com

Uma equipa de investigadores em Bangladesh anunciou a identificação de um novo vírus transmitido por morcegos que está a infetar pessoas e a causar sintomas graves semelhantes aos de outras doenças virais perigosas.

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O vírus — conhecido como Pteropine orthoreovirus (PRV) — foi encontrado em amostras de garganta de pelo menos cinco pacientes que foram inicialmente diagnosticados como possíveis casos de infeção pelo vírus Nipah, uma ameaça conhecida e altamente letal. No entanto, os testes laboratoriais mostraram que nenhum deles estava infetado pelo Nipah, levando os cientistas a investigar mais profundamente.

Todos os cinco pacientes tinham consumido sumo de palmeira‑real cru recentemente — uma bebida tradicional em Bangladesh — que é conhecido por poder ser contaminado por morcegos, que visitam as árvores durante o processo de colheita.

Os sintomas relatados incluíam febre alta, vómitos, dores de cabeça, fadiga, salivação excessiva e complicações neurológicas, como alterações no estado mental e dificuldades respiratórias — sinais típicos de infeções graves como meningite ou encefalite.

O PRV não é o vírus Nipah, apesar de causar sintomas semelhantes. A sua presença foi confirmada através de uma análise genética avançada das amostras, e em três dos casos os cientistas conseguiram cultivar o vírus em laboratório, comprovando que se tratava de uma infeção ativa e não apenas de material viral residual.

Este tipo de vírus faz parte do grupo Orthoreovirus e é conhecido por ser originário de morcegos — animais que são reservatórios naturais de muitos patógenos potencialmente perigosos para os humanos.

A descoberta levanta preocupações de que viruses transmitidos por morcegos possam estar a circular de forma silenciosa entre comunidades humanas, especialmente em áreas onde há contacto frequente com morcegos ou com produtos alimentares que podem ser contaminados por estes animais, pode ler-se

Os investigadores sublinham que estes vírus podem não ser detetados por testes padrão focados apenas num único patógeno perigoso como o Nipah. Em vez disso, defendem uma vigilância mais abrangente, capaz de identificar diferentes vírus zoonóticos em circulação.

O estudo foi realizado com base em amostras armazenadas de pacientes hospitalizados entre final de 2022 e início de 2023, identificados através de um programa nacional de vigilância de vírus em Bangladesh, coordenado por instituições locais, pelo International Centre for Diarrhoeal Disease Research, Bangladesh (icddr,b) e pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).

Os investigadores também encontraram vírus geneticamente semelhantes em morcegos capturados perto das áreas onde os casos humanos ocorreram, o que reforça a ideia de que o transmissão do vírus se faz através do contacto com excrementos, saliva ou urina de morcego em alimentos como o sumo de palmeira‑real.