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Destruição patrimonial por terroristas no Paquistão analisado por estudo de Coimbra

Notícias de Coimbra com Lusa | 1 ano atrás em 16-03-2023

Um estudo da Universidade de Coimbra (UC) fez uma análise da cobertura noticiosa de um ataque terrorista em 2007 a uma estátua no Paquistão e a sua reconstrução, procurando perceber os seus impactos.

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O estudo da UC concluiu que os atentados terroristas a património “têm enfraquecido vários governos na vertente económica e política, afastando as pessoas destes lugares e marcando certos países como não seguros”, afirmou um dos elementos da equipa de investigação, Cláudia Seabra, que assina o artigo, juntamente com Farhad Nazir e Ana Maria Caldeira.

Segundo a também docente da Faculdade de Letras, citada em nota de imprensa da UC enviada à agência Lusa, os grupos terroristas “usam a destruição do património para alcançar uma audiência global para passar a sua mensagem e reivindicações”.

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O estudo conduzido por investigadores do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da Universidade de Coimbra faz uma análise da cobertura noticiosa da destruição e reconstrução da estátua Jahanabad Seated Buddha, atacada por um grupo terrorista em 2007.

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O projeto procurou analisar as reações da comunidade local e das autoridades governamentais ao processo “destrutivo e reconstrutivo da estátua”, referiu a UC.

O “ativismo patrimonial da comunidade local face à devastação, a importância da recuperação da estátua para manter a estabilidade económica da atividade turística na região de Swat, onde se encontra a estátua, assim como a maior atenção dada pelos média aos períodos de destruição comparativamente ao destaque dado à fase de reconstrução” são algumas das principais conclusões.

“Principalmente, nos últimos 20 anos, grupos radicais atualizaram a sua estratégia de atuação, destruindo património classificado numa tentativa de destruir as memórias e identidades das civilizações, alcançando audiências globais”, realçou Cláudia Seabra.

Segundo a investigadora do CEGOT, “o discurso dos média continua a preferir os elementos sensacionalistas de destruição em vez de conteúdos sobre restauração e reabilitação”.

“O resultado mais interessante foi a perspetiva revelada pelas comunidades locais na proteção do seu património independentemente dos discursos radicais e religiosos difundidos pelos grupos terroristas, dando alento aos movimentos de proteção patrimonial”, sublinhou.

Da análise em torno do período de reconstrução, entre 2012 e 2016, os investigadores constataram “os benefícios comerciais desta recuperação, sobretudo para garantir a estabilidade económica das atividades turísticas em Swat”.

“O movimento terrorista responsável pelo ataque tentou conquistar a simpatia da comunidade local usando a iconoclastia islâmica (oposição à existência de imagens religiosas) como um escudo religioso para justificar o ato, mas, no entanto, a comunidade refutou essa narrativa e demonstrou ativismo patrimonial, lutando pela reconstrução da estátua Jahanabad Seated Buddha”, frisou Cláudia Seabra.

O artigo científico foi publicado no Journal of Heritage Tourism.

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