As descargas das barragens e albufeiras realizadas desde o início de janeiro correspondem a cerca de um ano de consumo de água de todo o país, disse hoje a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
“A Agência Portuguesa do Ambiente fez uma gestão preventiva das descargas das barragens para evitar cheias descontroladas. Desde o início de janeiro, as descargas das barragens e albufeiras corresponderam a cerca de um ano de consumo de água de todo o país”, destacou.
Numa comunicação realizada ao início da noite nas novas instalações do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra, a governante explicou que o país atravessa um período excecional que já dura há três semanas.
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“Só nestes dois dias a precipitação é equivalente a 20% da precipitação de Portugal, a média de um ano inteiro”, acrescentou.
Segundo Maria da Graça Carvalho, a Barragem da Aguieira, no Mondego, e a barragem das Fronhas, no Alba, “não são suficientes para controlar os caudais do Mondego num cenário de alterações climáticas, com eventos extremos, como os que estamos agora a presenciar”.
“Daí a decisão do Governo de avançar desde já, como já tinha sido anunciado pelo primeiro-ministro, a construção da Barragem de Girabolhos”, justificou.
Sobre o Rio Mondego, vincou que o ponto crítico de referência corresponde a um caudal, no Açude de Coimbra, de 2 mil metros cúbicos por segundo.
“Este caudal ontem [terça-feira] atingiu três fatores que se somavam: um caudal de cerca de 1.800 metros cúbicos por segundo, pouco encaixe nas duas barragens, Aguieira e Fronhas, e uma previsão de muita chuva para hoje, para quinta e sexta-feira, embora na sexta haverá algum alívio”, referiu.
Perante este cenário, os presidentes das câmaras municipais de Coimbra, Montemor-o-Velho e Soure foram aconselhados a retirar as populações nas zonas de risco.
“Algo que aconteceu, e aconteceu porque estava planeado”, vincou.
A ministra do Ambiente disse ainda que sabiam que, se o caudal do Rio Mondego ultrapassasse o valor crítico, era provável que se registasse “o rompimento do dique”, que vai de Coimbra até a Foz do Mondego.
“Foi o que aconteceu esta tarde: às 18:30 o caudal no Açude de Coimbra atingiu 2.100 metros cúbicos por segundo. Tivemos uma rotura do lado direito do dique, no prumo da A1. A Proteção Civil decidiu cortar o trânsito nesse troço, por uma questão de precaução, não há um perigo iminente”, concluiu