Coimbra
Deputado socialista acusa Ministra do Ambiente de “passividade e indiferença” perante acidente com navio na Figueira da Foz
O deputado socialista Pedro Coimbra acusou hoje a Ministra do Ambiente e da Energia de “passividade e indiferença” perante o acidente com o navio de carga que ontem ficou à deriva à entrada da barra da Figueira da Foz.
Numa audição na Comissão de Ambiente e Energia na Assembleia da República, que teve lugar esta tarde, o deputado eleito pelo Círculo Eleitoral de Coimbra chamou a atenção do Governo para a gravidade da situação e para os impactos económicos e sociais que já está a ter, não só na região como no país, bem como para os riscos ambientais que estão em causa.
O deputado questionou a Ministra sobre o impacto económico da paralisação do porto e sobre as medidas de apoio aos setores afetados, lembrando que há navios presos no porto, empresas que terão de deslocar a sua carga para outros portos marítimos, com todos os custos adicionais dessas operações, e que a economia da região é prejudicada com as empresas exportadoras e importadoras que operam no Porto da Figueira da Foz a terem de procurar alternativas, com todos os custos inerentes e perda de competitividade.
“Estão em causa impactos muito grandes, com custos muito significativos para o cluster da pasta do papel, sediado na Figueira da Foz, que obriga os operadores a utilizarem outros portos”, afirmou Pedro Coimbra.
O deputado socialista exigiu ainda esclarecimentos sobre as causas do acidente e sobre as medidas que estão a ser implementadas para evitar problemas ambientais.
“Tudo indica, pelo que é dito por especialistas e por quem conhece bem a situação em concreto, que se deve ao facto de o canal do porto da Figueira da Foz estar praticamente em condições de inavegabilidade pela acumulação de areias que, eventualmente, terão sido transferidas por uma intervenção da APA de norte para sul naquele território”, afirmou.
Recorde-se que os deputados eleitos por Coimbra Pedro Delgado Alves, Rosa Isabel Cruz e Pedro Coimbra também questionaram, por escrito, a Ministra do Ambiente e da Energia sobre as causas deste incidente com o navio de carga que ontem ficou à deriva à entrada da barra da Figueira da Foz, exigindo medidas urgentes que reponham a atividade do porto.
Os deputados recordam a transferência de areias de norte para sul que foi efetuada durante o ano de 2025, da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), para questionarem se esta operação foi sustentada em estudos técnicos, se decorreu conforme planeado e se foi avaliado previamente o respetivo impacto no calado do canal de navegação do Porto da Figueira. Querem saber, nomeadamente, se se confirma que foi diminuído o calado de 6,5 metros para menos de 5,5 metros, se o Governo tinha conhecimento da acumulação de areias após a operação efetuada em 2025 e que essa acumulação poderia comprometer a segurança da navegação.