Um novo estudo científico sugere que a depressão pode estar diretamente relacionada com a osteoporose, uma condição que enfraquece os ossos e aumenta o risco de fraturas. Investigadores chineses defendem que existe um sistema de comunicação bidirecional entre o cérebro e os ossos — o chamado eixo osso‑cérebro — que pode explicar porque é que estas duas condições com frequência coexistem e se influenciam mutuamente.
Publicado recentemente na revista Biomolecules, o trabalho revela que fatores associados à depressão podem afetar negativamente a densidade óssea, e que alterações na estrutura óssea podem também enviar sinais ao cérebro, influenciando o humor e o bem‑estar mental. Os autores descrevem a relação como uma “rede fisiológica legítima”, ultrapassando a ideia de que a ligação entre depressão e osteoporose seria apenas especulativa.
De acordo com os investigadores, compreender este eixo pode trazer avanços importantes no tratamento e gestão de pacientes que sofrem de depressão e, ao mesmo tempo, apresentam fragilização óssea. Estudos anteriores já tinham identificado correlações entre depressão e baixa densidade óssea, inclusive com impacto no risco de fraturas e osteoporose em diversas populações, mas este novo trabalho aprofunda o conhecimento sobre os mecanismos subjacentes.
PUBLICIDADE
Os especialistas sugerem que a atividade crónica do sistema de resposta ao stress e a alterações hormonais e inflamatórias associadas à depressão podem contribuir para a perda óssea, enquanto fatores bioquímicos partilhados entre o cérebro e os ossos podem reforçar essa ligação.
Este avanço científico abre portas a abordagens terapêuticas integradas, que considerem tanto a saúde mental como a saúde óssea, e destaca a importância de monitorizar pacientes com depressão também em relação ao risco de osteoporose.