Durante anos, especialistas alertaram para os efeitos negativos do consumo excessivo de televisão e ecrãs na saúde mental. No entanto, novas evidências científicas sugerem que algum tempo em frente ao ecrã pode ter um efeito positivo, sobretudo em contextos familiares mais exigentes.
Um estudo publicado na revista Journal of Community & Applied Social Psychology analisou dados sobre tempo de lazer, dimensão dos agregados familiares, níveis de stress e hábitos de utilização de ecrãs. Os investigadores cruzaram informações do U.S. Census Bureau com respostas de milhares de participantes, concluindo que ter “tempo para si” em casa após o trabalho ajuda a recuperar o ânimo para enfrentar as responsabilidades do dia seguinte.
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Segundo Soo Min Toh, especialista em comportamento da Universidade de Toronto Mississauga e coautora do estudo, a dimensão do agregado familiar influencia diretamente o nível de exigência vivido em casa. “Tendemos a pensar que o lar é um lugar de descanso, mas quanto mais pessoas houver, especialmente crianças, maiores são as exigências, o que nem sempre permite a recuperação emocional”, explicou.
Para chegar a estas conclusões, os investigadores analisaram dados de mais de 61 mil adultos casados do American Time Use Survey, focando-se na relação entre o tempo passado a ver televisão, o número de filhos e os níveis declarados de cansaço e stress. Embora os lares com crianças pequenas apresentassem maior fadiga e ansiedade, os pais que viam mais televisão relataram menores níveis de exaustão e stress.
Resultados semelhantes surgiram em estudos complementares com estudantes universitários canadianos, nos quais ambientes domésticos mais caóticos estavam associados a emoções negativas. Ainda assim, esses sentimentos eram menos intensos entre os participantes que passavam mais tempo ao telemóvel ou a jogar videojogos.
“Existe um efeito de amortecimento do tempo de ecrã face às exigências, à tensão e ao caos doméstico”, explicou Toh. No entanto, os investigadores alertam que estas conclusões não devem ser usadas como justificação para um uso excessivo de ecrãs.
O estudo não avaliou problemas como a dependência digital, que pode anular os benefícios de curto prazo. Os autores defendem a existência de uma “zona de equilíbrio”, em que o uso moderado de televisão, redes sociais ou videojogos permite desligar temporariamente das responsabilidades sem prejudicar a saúde mental.
“Não estamos a sugerir que se passe mais tempo ao telemóvel, mas sim que pequenas pausas podem ser reparadoras e ajudar a recuperar energias”, concluiu Soo Min Toh.
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