Um novo estudo científico alerta que muitas extensões de cabelo — quer sejam naturais, quer sintéticas — podem estar a conter substâncias químicas perigosas, incluindo algumas associadas ao risco de cancro, perturbações hormonais e outros efeitos adversos para a saúde.
A investigação foi conduzida pela equipa do Silent Spring Institute, um instituto norte‑americano de investigação em saúde ambiental conhecido por estudos sobre exposições químicas e risco de cancro. Os resultados foram publicados a 11 de fevereiro de 2026 na revista científica Environment & Health da American Chemical Society.
Os cientistas analisaram 43 produtos de extensões de cabelo comprados online e em lojas de produtos de beleza. Usando métodos avançados de análise química, detectaram mais de 900 sinais químicos e conseguiram identificar 169 substâncias distintas. Destes 48 químicos surgem em listas reconhecidas de perigos à saúde, incluindo 12 que constam na Proposição 65 da Califórnia, associada a substâncias que causam cancro, defeitos de nascimento ou prejuízo reprodutivo. 17 químicos foram ligados especificamente ao risco de cancro da mama e quase 10% dos produtos continham compostos conhecidos como organotinos, usados como estabilizantes de plástico e que são regulados na União Europeia devido à sua toxicidade.
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Apenas 2 dos 43 produtos testados estavam livres de químicos considerados perigosos — curiosamente, estes eram os únicos rotulados como “não‑tóxicos” ou “livres de tóxicos”.
Muitos destes químicos são usados para tornar as fibras resistentes ao fogo, à água ou ao calor, mas não são divulgados nos rótulos dos produtos, deixando os consumidores sem informação clara.
Os investigadores realçam que as extensões ficam em contacto direto com o couro cabeludo e a pele do pescoço durante semanas ou meses, o que pode permitir que substâncias se libertem na pele ou no ar — especialmente quando o cabelo é exposto a calor de ferramentas de styling — aumentando o potencial de exposição.
Os resultados têm especial relevância porque mais de 70% das mulheres negras nos EUA relataram ter usado extensões de cabelo no último ano, um uso muito acima da média noutras populações.
Especialistas afirmam que esta exposição química acumulada pode contribuir para disparidades de saúde já existentes, particularmente no que toca a riscos hormonais e de cancro.
Face a estas descobertas, há um crescente pedido por regulamentação mais rigorosa e transparência na indústria da beleza. Alguns estados dos EUA, como Nova Iorque e New Jersey, estão a considerar legislação que obrigaria à divulgação completa dos ingredientes ou até à proibição de certos químicos em produtos capilares sintéticos.
Os investigadores defendem que os consumidores devem ser informados sobre os riscos e que as autoridades devem aplicar normas que melhorem a segurança dos produtos, para que escolhas de estilo pessoal não comprometam a saúde.