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Coimbra

“De Portas Abertas” do Teatrão de Coimbra é caso de estudo português em projeto cultural europeu

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A iniciativa de intervenção artística e comunitária “De Portas Abertas”, promovida pela companhia O Teatrão no Vale da Arregaça, em Coimbra, é um caso de estudo num projeto europeu sobre o valor social da cultura, foi hoje anunciado.

O programa Uncharted, que avalia o valor social da cultura no espaço europeu, é um projeto liderado pela Universidade de Barcelona, envolvendo nove parceiros, sediados em França, Hungria, Itália, Noruega, Espanha, Reino Unido e Portugal, representado pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.

“O ‘De Portas Abertas’ foi escolhido para ser o caso de estudo português deste programa. Os cientistas sociais do Uncharted falaram com os parceiros, com os habitantes, com as pessoas envolvidas na primeira fase do projeto, recolheram testemunhos, entrevistaram as pessoas, trataram os dados, vão apresentar estes resultados e vão querer apresentá-los à população”, disse hoje aos jornalistas a diretora artística d’O Teatrão, Isabel Craveiro.

Em declarações durante a apresentação da programação para o primeiro trimestre de 2022 da companhia teatral residente na Oficina Municipal de Teatro de Coimbra, Isabel Craveiro adiantou que a apresentação dos resultados do programa europeu vai ocorrer a 26 de fevereiro, num encontro intitulado “Quanto vale a Cultura ‘de Portas Abertas’ na Arregaça?”.

A zona da Arregaça, onde coexistem fábricas e casas abandonadas com moradias e prédios recentes, fica localizada na zona leste de Coimbra, delimitada, a poente, pelo rio Mondego, a norte pela rua do Brasil (em cujas ‘costas’ se situa) e, a sudeste, pelo planalto do bairro Norton de Matos.

Classificado pelo Teatrão, no âmbito do projeto “De Portas Abertas”, como “um espaço invisível da cidade”, este vale possui terrenos agrícolas, a ladear a estreita rua da Fonte do Castanheiro, que vai até ao campo de futebol do União de Coimbra (e, nos dias de hoje, do seu sucedâneo União 1919), e é atravessado pelo ramal ferroviário da Lousã, o mesmo que não vê passar comboios há mais de uma década.

“Este encontro é um pouco para contrariar a ideia de que o trabalho da cultura é invisível, não se vê, não tem impacto, não tem resultados, não provoca transformações. As coisas mudam. E mudam devagar, num tempo apressado em que queremos os resultados muito depressa, mas a verdade é que mudam”, afiançou a diretora d’O Teatrão.

“Com o de Portas Abertas começamos a ter alguns habitantes a ver espetáculos aqui, a ter uma ligação um bocadinho diferente, há pessoas da Arregaça nas classes do Teatrão, a participar noutras atividades. É muito importante tornar visível este trabalho que se faz”, argumentou Isabel Craveiro.

Este ano, o projeto “De Portas Abertas” continua já na próxima semana, com o livro “A Minha Arregaça”, que vai circular por aquela zona de Coimbra, “inspirado nos oratórios da Sagrada Família que andavam de casa em casa “, frisou.

“Vai circular pelos habitantes da Arregaça para que as pessoas possam, de forma absolutamente livre, preenchê-lo com aquilo que acham que é a Arregaça, se lembram do que foi ou que querem que seja”, observou Isabel Craveiro.

Além de um instrumento de “mediação” com os habitantes, o álbum também servirá como uma espécie de guião para a criação do próximo espetáculo do Teatrão ligado ao “De Portas Abertas”, baseado nos valores do trabalho e cuja estreia está agendada para 30 de junho.

“Pelas características da Arregaça, de ter um registo de várias épocas da cidade, podemos criar uma arqueologia da evolução das questões do trabalho. Há pessoas que, quando vêm do trabalho, ainda têm uma horta, ou um rebanho, ou animais de criação que ajudam na sua economia familiar, são casos positivos. Todos nós na cidade devíamos tomar a Arregaça mais como exemplo do que como um caso negativo”, defendeu Isabel Craveiro.

A segunda fase do projeto irá ainda incluir, a 26 e 27 de fevereiro, Assembleias de Rua, organizadas pelas ruas do Vale da Arregaça, envolvendo a dramaturga, encenadora e atores com os habitantes locais.

“Os habitantes vão-se juntar ou na garagem de um, ou no clube desportivo, ou no quintal do outro, em sessões informais com a equipa artística do Teatrão”, disse a diretora artística.

Do programa consta ainda um baile popular, a 14 de maio, que precede uma iniciativa, a 23 de junho, em colaboração com a junta de freguesia e a Câmara Municipal de Coimbra, que passa por “devolver as fogueiras de São João” à Arregaça.

A programação d’O Teatrão hoje apresentada arranca na sexta-feira, às 22:00, com o regresso do ciclo Música na Tabacaria – com direção musical de Rui Lúcio e Vitor Torpedo – e o concerto do trio de cordas Arcos d’Almedina.

No sábado, pelas 21:30, na Sala Grande da Oficina Municipal de Teatro, o Teatrão apresenta Tekné, “um projeto no qual a procura do espetáculo reside na tensão entre palco e plateia”. Baseando-se na peça “O Fazedor de Teatro”, de Thomas Bernhard, o protagonista age “não como figura autoritária do teatro, mas sim como personagem que propõe ao público uma cocriação de um espetáculo que ainda não existe”, lê-se na sinopse.

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