Coimbra
Da trapalhada à unanimidade : Executivo municipal marca o golo da vitória no Sérgio Conceição

Foi aprovado por unanimidade esta sexta-feira, 29 de agosto, em reunião extraordinária do executivo municipal, o contrato-programa de desenvolvimento desportivo entre o Município de Coimbra e a Associação de Futebol de Coimbra (AFC).
Recorde-se que, na última reunião de Câmara, a proposta tinha sido retirada da ordem de trabalhos. Apresentando outra designação: “Protocolo de cooperação e cedência de infraestrutura desportiva entre a Câmara Municipal de Coimbra e a Associação de Futebol de Coimbra”, válido por 30 anos e que atribuía à AFC a gestão do Estádio Municipal Sérgio Conceição.
O presidente da Câmara, José Manuel Silva, sublinhou que “em todos os campeonatos não interessa como começa o jogo, mas como termina. Até podemos perder o jogo e acabar campeões”.
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O autarca frisou ainda que “estamos a aprovar um contrato-programa e não um protocolo, tem que ir à Assembleia Municipal”, defendendo que o objetivo é “permitir que todas as modalidades possam crescer no concelho”.
Apesar de críticas iniciais, a bancada socialista votou favoravelmente a proposta.
A vereadora Rosa Cruz (PS) classificou o processo como uma “rábula em três atos”, recordando que, no dia 25 de agosto, o executivo apresentou uma proposta inicial de cedência por 30 anos, que considerou “desequilibrada”, já que colocava clubes históricos como o União 1919 ou a Secção de Rugby da Académica em situação de fragilidade.
“Foi uma proposta que mais parecia uma escritura de propriedade do Estádio Sérgio Conceição passada para a AFC, com a gestão total entregue e os clubes reduzidos a utilizadores de favor”, afirmou Rosa Cruz.
Nos dias seguintes, o documento sofreu alterações. A versão final, aprovada por unanimidade, passou a vigorar por quatro anos, com a garantia de utilização do Estádio Sérgio Conceição para o União 1919 em caso de subida de divisão, e maior salvaguarda para o râguebi da Académica e para o Comité Regional de Rugby do Centro.
Ainda assim, a vereadora socialista apontou falhas na condução política do processo:
“Três versões em três dias, sempre a acrescentar o que tinha ficado de fora, sempre a reagir à contestação pública, sem uma visão clara para o desporto municipal. Ficamos sem saber se estávamos a votar um protocolo ou um contrato-programa. A diferença é grande”, criticou.
Já o vereador da CDU, Francisco Queirós, lembrou que “se o documento se mantivesse na sua versão inicial, iria votar contra”, acrescentando: “Ainda bem que houve esta alteração, para bem das instituições da cidade”.
Paulo Bandeira, presidente da Secção de Rugby da Académica e Paulo Picão, presidente do Comité do Rugby do Centro marcaram presença da reunião e saíram satisfeitos.
O documento segue agora para a Assembleia Municipal de Coimbra para aprovação final.
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