Com a chegada do inverno, a gripe A volta a ser uma preocupação.
Provocada pelo vírus influenza tipo A, esta doença integra as gripes sazonais e manifesta-se com sintomas conhecidos, como febre, tosse, nariz entupido, dor de garganta, dores musculares, dor de cabeça, arrepios, fadiga, vómitos e diarreia. Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem ao fim de cinco a sete dias e, passado dois dias sem febre, o risco de contágio reduz significativamente.
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Quando surgem os primeiros sintomas, é fundamental adotar medidas para proteger os outros e evitar a propagação do vírus. O SNS recomenda contactar a linha SNS 24, manter repouso em casa, medir regularmente a temperatura, não tomar aspirina em crianças, evitar automedicação durante a gravidez ou amamentação e recorrer a lavagens nasais com soro fisiológico para aliviar a congestão.
É também importante beber líquidos, manter acompanhamento de alguém próximo e, em caso de agravamento dos sintomas, procurar ajuda médica. O uso de antibióticos não é indicado, uma vez que a gripe é causada por vírus.
A gripe A propaga-se principalmente por pequenas gotículas libertadas ao tossir, espirrar ou falar, mas também pode ocorrer contágio indireto ao tocar em superfícies contaminadas e depois levar as mãos à boca, nariz ou olhos. O período de incubação varia entre três a dez dias, sendo a média de sete dias, durante os quais a pessoa já pode transmitir o vírus, embora a contagiosidade seja mais baixa.
O tratamento da gripe A assenta sobretudo no sistema imunitário do próprio corpo, sendo que apenas em casos graves ou em doentes de risco elevado são usados antivirais sujeitos a receita médica, como o oseltamivir (Tamiflu e Ebilfumin) e o zanamivir (Relenza). Estes medicamentos inibem a replicação do vírus, mas não devem ser usados indiscriminadamente, pois o uso descontrolado pode gerar resistência viral. Nenhum destes fármacos é comparticipado pelo SNS.
A prevenção mais eficaz continua a ser a vacinação anual contra a gripe, recomendada tanto para a gripe A como para a gripe B. A imunidade da vacina diminui com o tempo, pelo que a vacinação anual é necessária. Embora a eficácia seja menor em idosos, a vacina reduz a gravidade da doença e o risco de complicações.
A vacinação é essencial para pessoas em risco elevado e para quem vive ou cuida de pessoas vulneráveis. A composição da vacina é atualizada duas vezes por ano, de acordo com a monitorização mundial da circulação de vírus da gripe feita pela OMS, garantindo proteção adequada mesmo que nem todos os vírus coincidam exatamente com os da vacina.
O diagnóstico da gripe A é raramente necessário, exceto para orientar tratamentos ou identificar surtos em comunidades. Nesses casos, podem ser usados testes PCR ou testes rápidos de antigénio semelhantes aos da covid-19. Em Portugal existem também autotestes disponíveis em farmácias e parafarmácias, capazes de detetar o vírus influenza A e B, incluindo alguns combinados com SARS-CoV-2.
Seguindo estas medidas de prevenção e tratamento, é possível reduzir o risco de contágio, controlar os sintomas e proteger as pessoas mais vulneráveis durante a época da gripe.
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