A terapia de casal tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante na promoção do bem-estar emocional, relacional e sexual dos parceiros. Num contexto social marcado por elevados níveis de exigência pessoal e profissional, bem como por múltiplas transições de vida, muitos casais enfrentam desafios que podem beneficiar de acompanhamento clínico estruturado.
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Entre os motivos mais frequentes que levam os casais a procurar terapia encontram-se as dificuldades de comunicação e conflitos recorrentes, as disfunções sexuais, como diminuição do desejo, disfunção erétil, anorgasmia ou dor durante a relação, bem como o impacto da parentalidade e do período pós-parto na intimidade. Situações de infidelidade ou quebra de confiança, diferenças de expectativas quanto à vida familiar, sexual ou profissional, e contextos de stress crónico, ansiedade ou burnout também podem afetar significativamente a dinâmica conjugal.
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Além disso, determinadas transições de vida, como mudanças de país, doença, menopausa ou andropausa, bem como o próprio processo de envelhecimento, podem gerar adaptações na relação que nem sempre são fáceis de gerir sem apoio especializado.
Na prática clínica, observa-se que muitas destas dificuldades apresentam uma componente íntima e fisiológica associada. Por esse motivo, a abordagem terapêutica privilegia frequentemente uma perspetiva integrada, que articula a saúde emocional e relacional com a saúde sexual, podendo incluir, quando indicado, avaliação médica complementar.
As consultas são conduzidas por profissionais de saúde mental, psicólogos ou psiquiatras, com formação em Saúde Sexual e experiência na abordagem multidisciplinar da disfunção sexual feminina e masculina. Estes profissionais estão também preparados para avaliar fatores psicossociais que possam impactar a relação conjugal.
Embora o perfil dos casais que recorrem à terapia seja bastante diverso, observa-se frequentemente uma predominância de casais entre os 30 e os 60 anos, com formação académica média ou superior e profissionalmente ativos. Muitos residem na área de Lisboa, embora exista também procura por parte de pessoas de outras regiões do país e do estrangeiro. Ainda assim, é importante sublinhar que não existe um “perfil-tipo”: qualquer casal que sinta que a sua relação pode beneficiar de acompanhamento estruturado pode recorrer à terapia.
Para Cláudia Vicente, Psicóloga Clínica Especialista em Intervenção Sistémica e Terapia Familiar na MS Medical Institutes, “a procura de apoio especializado é recomendada quando o diálogo se torna difícil ou improdutivo, quando a intimidade física ou emocional diminui de forma persistente, ou quando surgem conflitos repetitivos sem resolução. Também situações de sofrimento individual que começam a impactar a relação, ou o simples desejo de prevenir o agravamento de dificuldades já identificadas, podem justificar a intervenção. A evidência clínica demonstra que a intervenção precoce tende a ser mais eficaz do que aguardar por uma situação de rutura”.
As consultas de terapia de casal têm, regra geral, uma duração alargada, permitindo momentos de avaliação individual e conjunta. Sempre que necessário, pode ser realizada avaliação clínica complementar, hormonal, metabólica ou funcional. O plano terapêutico é personalizado e pode incluir aconselhamento sexual, intervenção comportamental, modulação do estilo de vida e, quando indicado, terapêutica médica.
Promover relações saudáveis é também promover saúde. A terapia de casal constitui, assim, um recurso importante para fortalecer a comunicação, restaurar a intimidade e apoiar os parceiros na construção de relações mais equilibradas e satisfatórias.
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