Coimbra

Crise na Venezuela trava viagem de família de Coimbra. Avó não conhece a neta

Susana Brás | 24 horas atrás em 03-01-2026

Vivem em Coimbra e tinham um sonho simples marcado para janeiro: levar a filha de três anos à Venezuela para conhecer a avó paterna pela primeira vez.

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A viagem, preparada com antecedência e carregada de emoção, acabou por ser cancelada devido à instabilidade crescente no país sul-americano.

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O casal, com fortes ligações à Venezuela, planeava finalmente juntar três gerações da mesma família.

A avó, que vive perto de uma base militar em Caracas, nunca conheceu a neta pessoalmente — apenas através de fotografias e chamadas de vídeo. “Era a primeira vez que a ia ver ao vivo”, conta a mãe da bebé, visivelmente emocionada. “Ela só conhece a neta por imagens.”

Janeiro parecia o momento certo. A menina, com três anos, já fazia perguntas, reconhecia a avó no ecrã e os pais queriam criar essa ligação tão importante. Mas os acontecimentos recentes, as restrições de circulação e o clima de incerteza tornaram a viagem impossível. “Neste momento ninguém entra nem sai do país com segurança”, explica Edite Reis, gerente da Pastelaria Tropical, em Coimbra.

A avó vive sozinha desde a pandemia. O marido morreu durante a Covid-19 e o filho — pai da criança — não conseguiu viajar na altura para se despedir. A outra filha acabou por emigrar para os Estados Unidos. “Ela ficou sozinha. E nós aqui, sem poder ir”, lamenta esta familiar

A avó foi aconselhada a não sair de casa devido à proximidade de uma das zonas mais sensíveis da capital venezuelana. “Está bem, mas com medo. Como todos”, diz a mulher que fugiu com os filhos há 8 anos daquele país devido à insegurança.
Vieram com as poupanças de uma vida e recomeçaram do zero. “Não foi fácil, mas conseguimos.”

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