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Portugal

CP: Greve suspende quase dois terços dos comboios programados até às 12:00

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A greve dos trabalhadores das bilheteiras e revisores da CP – Comboios de Portugal suspendeu, até às 12:00, 65% dos comboios previstos, adiantou a empresa, enquanto o sindicato diz que a adesão é quase total.

“A CP – Comboios de Portugal informa que, entre as 00:00 e as 12:00 de dia 06 de junho, dos 309 comboios programados para o período, circularam cerca de 35%, num total de 107 comboios”, indicou, em comunicado a empresa.

Os serviços mínimos para este período apontavam para a circulação de 63 comboios, que foram todos realizados, a que se somaram mais 44.

Segundo os números avançados pela CP, estava programada a circulação de 130 comboios urbanos de Lisboa, tendo sido suprimidos 90, enquanto no Porto estavam programados 61 e realizaram-se 22.

No que se refere aos comboios regionais e interregionais, estavam previstos 99, mas 62 dos quais foram suprimidos, circulando assim 37.

Já nas viagens de longo curso foram suprimidos 11 comboios, num total de 19 programados.

Até às 08:00, os números da empresa apontavam para uma suspensão de 46% dos comboios programados.

Em declarações à Lusa, o presidente do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), Luís Bravo, assegurou que apenas duas pessoas estiveram ao serviço, uma no Porto e outra na linha do Vouga, “levando à circulação de cerca de 10 comboios”.

Rejeitando os dados da empresa, o sindicalista precisou que foram realizados, até ao momento, “seis comboios na linha urbana do Porto e quatro na do Vouga”.

Luís Bravo defendeu que a “adesão está a ser maciça”, destacando que a linha de Cascais está encerrada até às 16:45 e que na linha de Sintra e em Santa Apolónia só estão a ser cumpridos os mínimos.

Por outro lado, a “grande maioria das bilheteiras”, a nível nacional, está encerrada ou com apenas um funcionário, quando, por norma, contam com seis, acrescentou.

“Para o dia de hoje foram-nos impostos 40% de serviços mínimos. Considerar viagens de lazer como necessidades sociais impreteríveis é algo que nenhum tribunal tinha decretado e é uma violação ao direito da greve, a que estamos já habituados”, vincou.

O presidente do SFRCI apelou também aos utentes dos comboios urbanos de Lisboa e do Porto que evitem este transporte na segunda e terça-feira “porque vai ser o caos”, atribuindo culpas à Administração da CP, que permanece sem responder às reivindicações dos trabalhadores.

Os trabalhadores da CP iniciaram hoje uma greve nacional de três dias em protesto contra a proposta de regulamento de carreiras apresentada pela CP, que dizem prever “um aumento da polivalência de funções” e a “junção e extinção de categorias profissionais”, considerando que tal “vai pôr em causa postos de trabalho presentes e futuros”.

Reclamam ainda a “melhoria do salário base, que atualmente está no limiar do salário mínimo nacional”, e a “reposição das perdas salariais sofridas pelos ferroviários operacionais que foram contagiados pela pandemia provocada pela covid-19, bem como pelos que tiveram de cumprir confinamento profilático por estarem em contacto com colegas infetados”.

A CP alertou que hoje, segunda e terça-feira – os três dias da greve convocada pelo SFRCI, em protesto contra a proposta de regulamento de carreiras e reclamando aumentos salariais e o cumprimento do acordo de empresa – “podem ocorrer fortes perturbações na circulação de comboios a nível nacional”.

O SFRCI acusa a CP de “violação do acordo de empresa em vigor” e exige a “aplicação do acordo assinado com o Ministério das Infraestruturas em 2018, relativo à certificação do agente de acompanhamento”.

A “manutenção dos níveis segurança ferroviária” é outra das reivindicações feitas, com o sindicato a considerar que estes “estão a ser colocados em causa pela CP e pelas alterações impostas pelo IMT [Instituto da Mobilidade e dos Transportes] aos regulamentos gerais de segurança, cujo objetivo é servir as empresas privadas que reduzem postos de trabalho e custos com segurança ferroviária”.

Finalmente, a greve visa condenar o “abuso do poder disciplinar” que os trabalhadores dizem vigorar na CP.

De acordo com o dirigente do SFRCI António Lemos, são abrangidos pelo pré-aviso de greve “800 a 1.000 trabalhadores” das carreiras comercial e de transportes da CP.

A CP já anunciou que quem já tiver bilhetes para viajar em comboios dos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Internacional, InterRegional e Regional, poderá solicitar o reembolso do valor total do bilhete adquirido ou a sua revalidação, sem custos

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