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Médicos

Covid-19: Solidão que rodeia sofrimento dos doentes contribui para desespero de médicos

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O presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) afirmou hoje que a solidão envolvendo o sofrimento dos doentes de covid-19, além das mortes inevitáveis, “contribui muito” para os profissionais de saúde se sentirem por vezes “um pouco desesperados”.

Ao fim de vários meses de luta contra a covid-19, que já matou 7.286 pessoas em Portugal, nota-se “um cansaço muito grande” dos profissionais de saúde, mas a vacina representa a esperança, disse à agência Lusa João Araújo Correia.

“Esta vacina é uma esperança tão grande que eu acho que nos faz levantar”, disse o internista, desabafando que se não aparecesse “havia muita gente numa exaustão completa e provavelmente numa depressão absoluta”.

Sobre o que tem sido mais penoso nesta luta, João Araújo Correia apontou as “muitas mortes inevitáveis”, porque muitos dos doentes têm muita idade e muitas patologias e “o vírus acaba por ser a ponta do icebergue que depois faz desmoronar o castelo de cartas que é aquela pessoa”.

“Mas o que custa muito é nós não podermos ter um contacto que é absolutamente essencial com as famílias e os próprios doentes não terem as suas famílias à volta. E, portanto, esta solidão que rodeia o sofrimento, além da mortalidade maior, que é inevitável, contribui muito para que nós nos sintamos às vezes um pouco desesperados”, desabafou.

Mas, reiterou, a vacina é “um novo ânimo”, acrescentando: “Estou convencido de que vamos conseguir resistir e vamos conseguir dar a volta porque os internistas”, prosseguiu, estão “habituados a ser postos à prova” nas urgências, nomeadamente nos “invernos que duram até maio” em que atendem centenas de doentes por dia

“Esta prova tem sido mais do que os quatro ou cinco meses do costume, já vai em onze. Portanto, é mais difícil, mas sinceramente eu sou um bocado otimista e acho que esta esperança que agora surgiu vai acabar por conseguir que a gente leve as coisas a bom porto. Esperemos que sim”, vincou, considerando ter sido “uma boa escolha” iniciar a vacinação pelas equipes de saúde.

“Por outro lado, nós que somos homens de ciência, também termos a noção de que estamos a viver uma experiência terrível, um autêntico pesadelo, estamos todos exaustos, mas também termos a noção de que aquilo que para mim é mais importante no combate ao `burnout´ é termos a noção de que o nosso trabalho vale a pena”, sustentou.

Questionado sobre os aumentos dos internamentos e os surtos de covid-19 em lares, João Araújo Correia afirmou que “provavelmente está a ser resultado de algum laxismo, de algum facilitismo em relação às coisas”, mas ressalvou que se tem assistido a esta situação noutros países.

“Talvez estivéssemos a escapar e agora não estamos”, disse, considerando ainda que “a pandemia destapou” muitos problemas que “são graves, muito graves”, nomeadamente a situação de alguns lares em que é “muito difícil” controlar a situação.

Há lares em que se consegue fazer o isolamento dos casos positivos e outros em que não se consegue, disse, alertando ainda que a introdução do vírus é causada pelo pessoal exterior.

“Todas aquelas pessoas, quer os médicos, quando existem por nem sequer são obrigatórias nos lares, os enfermeiros, os auxiliares todos eles trabalham em vários sítios ao mesmo tempo” e isso representa “um risco brutal” em termos de transmissão do SARS-Cov-2, que causa a covid-19.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 7.286 mortes e 436.579 casos de infeção pelo vírus SARS-CoV-2, estando hoje ativos 80.183, mais 175 do que na segunda-feira

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