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Covid-19: Morte de homem causa polémica. Autoridades timorenses preparadas para usar força para retirar corpo

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Responsáveis do Centro Integrado de Gestão de Crise (CIGC) de Timor-Leste admitiram hoje que poderão recorrer à força, caso sejam impedidos de retirar do centro de Vera Cruz o cadáver de um paciente infetado com covid-19 e que morreu hoje.

“Claro que vai haver resistência, mas vamos tentar esclarecer a situação e, em último caso, podemos ser obrigados a tomar medidas de força em relação a esta questão”, disse o brigadeiro-general João Miranda ‘Aluk’, 2.º comandante operacional da Sala de Situação do CIGC.

Aluk respondia assim à Lusa ao protesto que hoje familiares do homem de 46 anos e o lider histórico timorense, Xanana Gusmão, têm mantido à porta do centro de isolamento de Vera Cruz, para tentarem que o corpo seja entregue à família par ao velório.

“Eu, na minha qualidade de 2.º comandante operacional, apelo a todos e ao meu irmão o líder histórico Xanana Gusmão, porque devemos cooperar com o Ministério da Saúde para evitar que este vírus se alastre em todo o território nacional”, afirmou.

Aluk Miranda falava em declarações conjuntas com Rui Araújo, coordenador da ‘task-force’ para a Prevenção e Mitigação da covid-19, do CIGC, depois da polémica e tensão causada em Díli relativamente a este caso.

Aluk Miranda disse que cabe ao CIGC assegurar o cumprimento das medidas em vigor, tanto em termos sanitários como de saúde pública, dirigindo-se à família e ao resto da população para pedir a sua máxima colaboração.

“Compreendemos o vosso luto. Mas para o bem de todos têm que cooperar com o Ministério da Saúde para continuar a combater esta doença, para evitar mais contágios na família, na comunidade”, afirmou.

Pedimos à família que colabore com as instituições do Estado para poder implementar estas medidas e este protocolo. Da parte de segurança da SS, pedimos a todos que cooperem para evitar a doença”, considerou.

Questionado especificamente sobre o facto de Xanana Gusmão estar no local a protestar contra o transporte do corpo para Metinaro, seguindo o protocolo em vigor, Aluk Miranda disse que todas as medidas de prevenção têm que ser asseguradas.

“Com todo o respeito e carinho para com o nosso líder, pedimos da SS que o irmão colabore e apoie a implementação destas medidas, porque se não, não faz sentido, termos um Estado, e estas instituições”, considerou.

A dimensão da polémica cresceu depois do líder histórico timorense Xanana Gusmão se ter posto do lado da família, ficando no exterior de Vera Cruz onde exige que a ambulância fúnebre pudesse recolher o corpo.

“Este homem não morreu de covid, estava doente há um mês em casa. A família está em boa condição física, que o levou para o hospital e diz que é mentira. Querem levar o corpo”, afirmou.

Xanana Gusmão insiste que este tipo de situações estão a ajudar a aumentar a desconfiança da população sobre a covid-19 em Timor-Leste, e que vai ficar no local até que o corpo seja entregue à família.

A ministra da saúde, Odete Belo, deslocou-se a Vera Cruz com uma das responsáveis do Centro Integrado de Gestão de Crise (CIGC), Odete da Silva Viegas, para tentar explicar o protocolo e justificar a decisão.

Rui Araújo explicou que o homem de 46 anos entrou no Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV) com um quadro grave, com tensão elevada, respiração dificultada e hemorregia.

“Pelo facto de ter frequência respiratória afetada, os médicos dos serviços de emergência deram atendimento e seguiram o protocolo normal, incluindo o teste PCR à covid-19”, explicou.

“O resultado foi positivo com um nível ativo elevado de 25.1. O paciente foi transportado para Vera Cruz e foram recolhidas análises a três pessoas da família, das quais duas tiveram resultados positivos: ou seja, três dos quatro habitantes da casa deram resultado positivo”, afirmou.

Araújo explicou que hoje a família questionou a aplicação do protocolo, referindo que foi feita uma nova análise sque confirmou “o que já se sabia com base científica, de que depois da morte o vírus se multiplica ainda mais”.

“Antes de morrer tinha um nível mais elevado comprovando que o vírus se replica muito mais depois da morte. Tendo em conta os considerandos adotados em todo o mundo, foi deliberado fazer-se o funeral especial recomendado pela OMS e pelo MS”, referiu.

As autoridades, disse, marcam assim a sua posição de que o funeral tem que ser feito de forma “especifica, tendo em conta o ponto de vista de saúde pública e para não pôr em risco a família. Não podemos ter velório ou outras atividades relacionadas com a morte”, disse.

“Compreendo as preocupações de todos. Mas a evidencia científica não pode ser negada. A força tarefa de prevenção e o MS, tendo em conta a perspetiva saúde publica, tem que seguir o critério preparado, tal como ocorreu no óbito anterior”, disse.

Rui Araújo mostrou-se sensibilizado com a importância dos rituais, usos e costumes, mas recordou que o vírus “está a propagar-se desenfreadamente, não só em Díli mas noutras partes do território” e que todos devem cumprir as regras de saúde pública.

 

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