A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, admitiu hoje que deu como presente ao Presidente norte-americano, Donald Trump, a medalha do Prémio Nobel da Paz, com o qual foi galardoada no ano passado.
O momento aconteceu durante um encontro entre ambos na Casa Branca na tarde de hoje.
PUBLICIDADE
“Entreguei ao Presidente dos Estados Unidos a medalha do Prémio Nobel da Paz”, disse María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, em Washington, ao descrever o momento.
Machado, que recebeu o Nobel da Paz no ano passado, afirmou que o gesto remetia aos laços históricos entre os Estados Unidos e a Venezuela e visava reconhecer o que classificou de “compromisso singular de Trump com a nossa liberdade”, segundo o jornal New York Times.
A Casa Branca não informou imediatamente se Trump aceitou a medalha.
O Instituto Nobel da Noruega já tinha esclarecido este mês que María Corina Machado não podia doar o Nobel da Paz ao Presidente dos Estados Unidos, como afirmou ser sua intenção, nem a qualquer outra pessoa.
“Uma vez anunciado, o Prémio Nobel da Paz não pode ser revogado, transferido ou partilhado com terceiros”, afirmou o instituto num breve comunicado em 10 de janeiro.
“A decisão é final e irrevogável”, acrescentou.
O comunicado surgiu depois de María Corina Machado ter afirmado que gostaria de entregar ou partilhar o prémio com Trump, que supervisionou a operação dos Estados Unidos para capturar o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que enfrenta acusações de tráfico de droga em Nova Iorque.
Corina Machado manteve hoje um almoço com Donald Trump na Casa Branca, menos de duas semanas após os Estados Unidos terem capturado Nicolás Maduro durante uma operação militar na Venezuela, que resultou na detenção e na transferência do líder chavista e da sua mulher, Cilia Flores, para Nova Iorque. Os dois são acusados de quatro crimes federais, incluindo de conspiração para narcoterrorismo.
A líder da oposição venezuelana entrou na residência presidencial dos Estados Unidos por uma porta lateral, em vez da entrada principal, reservada para chefes de Estado e altas autoridades, e não respondeu às perguntas da imprensa à chegada.
A política venezuelana chegou pouco depois das 12:00 (hora local, 17:00 em Lisboa), e saiu da Casa Branca por volta das 14:30 locais (19:30 em Lisboa).
Foi o primeiro encontro entre os dois e foi fechado à imprensa.
Após o encontro, a venezuelana cumprimentou apoiantes e seguiu para o Capitólio, onde se reunião com membros do Congresso.
Do lado de fora do Capitólio e debaixo de temperaturas negativas, multidões de apoiantes — agitando bandeiras venezuelanas — aplaudiam amplamente María Corina Machado.
Machado passou um tempo considerável a cumprimentar os apoiantes antes de ser cercada por dezenas de repórteres de imagem e jornalistas que gritavam perguntas em inglês e espanhol.
A líder da oposição garantiu que o Presidente norte-americano está totalmente “comprometido com a liberdade dos presos políticos venezuelanos e de todos os venezuelanos”.
María Corina Machado afirmou também hoje que conta com Donald Trump “para a liberdade da Venezuela”, após a reunião a portas fechadas entre os dois na Casa Branca.
“Contamos com o Presidente Trump para a liberdade da Venezuela”, declarou.
Disse ainda estar “impressionada” com a clareza com que Trump abordou a situação na Venezuela e “com o quanto ele se importa”.
Apesar dos elogios a Trump, a porta-voz da Casa Branca esclareceu – enquanto o encontro ainda decorria – que o Presidente norte-americano mantém a opinião de que María Corina Machado não tem apoio suficiente no país para liderar uma transição na Venezuela.
Questionada se Trump tinha mudado de posição sobre a mais recente galardoada com Prémio Nobel da Paz, Karoline Leavitt frisou que a avaliação do Presidente “era realista, baseada no que estava a ler e ouvir de seus assessores e da sua equipa de segurança nacional”.
“Até ao momento, a sua opinião sobre este assunto não mudou”, disse a porta-voz da presidência dos Estados Unidos numa conferência de imprensa.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE