Portugal

Consumo de ‘crack’ aumentou 60% nas prisões 

Notícias de Coimbra com Lusa | 24 minutos atrás em 18-02-2026

O Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências alertou hoje para um aumento de 60% de consumo de ‘crack’ nas prisões, entre 2014 e 2023, um crescimento que expõe a violência e a criminalidade associada a esta droga.

Os dados foram apresentados pela presidente do ICAD, Joana Teixeira, na Comissão Parlamentar de Saúde, onde apresentou o Relatório Anual 2024 – A Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependências, e foi também questionada sobre o aumento do consumo de cocaína, a droga mais prevalente nas overdoses dos últimos quatro anos.

“Houve um aumento de 60% de indiciados e condenados por consumo de ‘crack’. Portanto, isto também representa realmente a violência e a criminalidade que está associada”, disse Joana Teixeira.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

publicidade

A psiquiatra explicou à agência Lusa que se trata de população que já consumia antes de ser detida.

Segundo o ICAD, o número de toxicodependentes que iniciaram tratamento atingiu, em 2024, o valor mais alto da última década, reforçando a tendência já observada em 2023.

“O que observamos na cocaína é efetivamente o seu aumento, nos últimos anos, mas um aumento muito à base do aumento de ‘crack’, que tem algumas particularidades que tornam esta substância muito mais deletéria e com muito mais repercussões na saúde e na sociedade”, afirmou Joana Teixeira.

Desde logo, explicou, tem um potencial aditivo muito maior, um efeito muito mais rápido: “Enquanto, que a cocaína demora cerca de vinte minutos até ter o seu efeito máximo, o ‘crack’ em cinco minutos já fez o efeito e já terminou”, elucidou.

“E, portanto, isto aumenta a procura, aumenta o vai e vem para compra da substância, e isso para quem está do lado do mercado da oferta pode ser uma grande vantagem, mas para quem está do lado da redução da procura é um desafio adicional, porque temos uma dependência de uma gravidade muito elevada que temos que analisar”, alertou.

A responsável disse que está a ser feito o levantamento das necessidades de intervenção a nível de programas de prevenção e tratamento para a cocaína.

“Não é apenas uma questão psiquiátrica pura de tratamento médico, implica aqui uma abrangência mais holística com a parceria de várias entidades e o ICAD está comprometido nessa articulação e em conseguirmos dar a resposta adequada”, frisou.

Joana Teixeira apontou, por outro lado, a pureza das substâncias, que aumenta o seu efeito e o seu potencial aditivo, e os policonsumos, sendo que muitas vezes as substâncias já vêm adulteradas ou associadas a outras substâncias que “aumentam ainda mais o potencial aditivo”.

Deu como exemplo os opioides sintéticos, em vitaminas sintéticas e novas substâncias que muitas vezes se associam à cocaína clássica ou à heroína.

“Aquilo que queremos é intervir em estreita articulação com as outras entidades de tratamento e também na área social e na área das autarquias”, assegurou.

Em 2024, a potência média do haxixe e o grau de pureza da cocaína base/crack e do ecstasy representaram os valores mais elevados dos últimos 10 anos e, em contrapartida, o grau de pureza da heroína o mais baixo deste período, lê-se no documento.

Apesar da diminuição das apreensões de ‘crack’ em 2024, os valores dos últimos três anos foram muito superiores aos do período 2015-2021.

Segundo o relatório, em 2024, foram identificados e desmantelados quatro laboratórios de transformação de pasta base de coca em cloridrato de cocaína, existindo o risco de instalação destes laboratórios no país, tal como tem acontecido noutros países europeus.