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Comunicação e colaboração ressentem-se com teletrabalho a tempo inteiro

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Um estudo com mais de 61.000 funcionários da Microsoft, nos Estados Unidos, mostra que quando todos trabalham remotamente a tempo inteiro a comunicação e a colaboração são afetadas.

Trabalhar apenas a partir de casa faz com que os empregados fiquem mais isolados na forma como comunicam, se envolvam em menos conversas em tempo real e passem menos horas em reuniões, de acordo com pesquisas publicadas na revista científica Nature Human Behaviour.

O estudo separou os efeitos de trabalhar a partir de casa de outros efeitos relacionados com a pandemia, utilizando uma técnica estatística para comparar com empregados que anteriormente trabalhavam à distância.

Os resultados sugerem que quem se encontra em teletrabalho a tempo inteiro “pode ter maior dificuldade em adquirir e partilhar novas informações, o que poderá ter implicações no futuro na produtividade e inovação entre os trabalhadores das tecnologias de informação”, é referido num comunicado da Haas School of Business da Universidade da Califórnia.

“A ordem para se trabalhar a partir de casa criou uma oportunidade única para identificar os efeitos do trabalho à distância a nível empresarial na forma como os trabalhadores da informação comunicam e colaboram”, disse um dos autores da investigação, David Holtz.

O teletrabalho na empresa tornou as redes de colaboração menos interligadas e mais isoladas e os trabalhadores comunicavam menos frequentemente com pessoas de outros grupos empresariais.

Os trabalhadores passaram 25% menos tempo a colaborar com colegas de outros grupos, em comparação com os níveis do período anterior à pandemia, e os novos colaboradores foram integrados mais lentamente.

Em contraste, comunicaram mais frequentemente com as pessoas da sua rede interna e fizeram mais ligações dentro dela.

Os resultados sugerem também que passaram mais tempo a utilizar canais de comunicação como o correio eletrónico e plataformas de mensagens e menos tempo a ter conversas pessoalmente, por telefone ou videoconferência.

Entre os funcionários da Microsoft analisados, o teletrabalho reduziu em cerca de 5% o número de horas que as pessoas passaram em reuniões, sugerindo que o aumento verificado por muitos não se deveu ao teletrabalho, mas a outros fatores relacionados com a pandemia.

Holtz disse que a equipa foi capaz de separar os efeitos do teletrabalho na empresa em duas componentes distintas: como os seus próprios padrões de colaboração são afetados quando se trabalha à distância e como os seus padrões de colaboração são afetados quando os seus colegas trabalham à distância, concluindo que ambos são importantes.

A equipa também identificou até que ponto as mudanças de comportamento foram causadas pelo teletrabalho e não pela própria situação pandémica.

Os trabalhadores viram-se subitamente confrontados com ordens de confinamento, escassez de bens, cuidados com as crianças que deixaram de ir à escola ou membros vulneráveis da família e tiveram de lidar com o stress e a ansiedade em geral, acrescenta o estudo.

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