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Comissão Diocesana Justiça e Paz de Coimbra deseja trabalho digno para todos

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A Comissão Diocesana Justiça  e Paz (CDJP) de Coimbra, na sua mensagem “Trabalho digno para todos”, sublinha, neste tempo de Natal, “a extrema gravidade que o desemprego, o trabalho precário e a exploração laboral apresentam, razão que justifica que, sob o enfoque da doutrina social da Igreja, voltemos a partilhar com a comunidade as nossas inquietações e esperanças sobre esta realidade”.

Para a Comissão, “o mercado estimulou, por parte de países ricos, a busca de áreas para onde deslocar as atividades produtivas a baixo custo, o que levou à desregulação do mundo do trabalho e do abaixamento dos salários. O capital acumula-se nas mãos de muito poucas empresas, que impõem diretrizes políticas e sociais (nomeadamente, uma vez mais, a descida dos salários e das contribuições sociais), para distribuírem impressionantes dividendos pelos seus acionistas e pagarem principescamente aos seus gestores de topo”.
“O enorme incremento tecnológico permite, por outro lado, obter grandes ganhos de produtividade com cada vez mais reduzida mão-de-obra, o que acentua o risco de desemprego. Com o desemprego massivo e prolongado, e a fragilidade das redes de segurança social, a pobreza alastra e agrava-se”.

Aliás, “a simples constatação de que 95% das transações no mundo são sobre o capital financeiro e apenas 5% sobre a produção de bens de consumo ilustra à saciedade a distorção, a desfocalização relativamente às pessoas concretas e a manipulabilidade do mercado”.

Referindo-se a Portugal, a CDJP de Coimbra releva o “crescimento do desemprego, o abaixamento dos salários e a diminuição da segurança social aos cidadãos”, enquanto, “paralelamente a este empobrecimento generalizado da população”, “cresce o número dos muito-ricos, evidenciando que o desequilíbrio social nasce efetivamente do jogo financeiro”.

“É necessário pôr em causa, criticamente, todo o modelo e, por outro lado, colocar no centro do mundo do trabalho a dignidade inviolável da pessoa humana” importando ainda “lembrar a quem tem qualidades empresariais e acesso ao capital o grave dever de ser empreendedor, criando empresas, riqueza, postos de trabalho”.

Ao demandar “empenho na regulação da atividade económica, consistentemente orientada para a justa distribuição da riqueza criada entre o capital e o trabalho e para a solidariedade nacional”, acrescenta ainda que, “mais, afigura-se exigível que o Estado intervenha ativamente no mercado de trabalho, como potenciador e, eventualmente, como criador de empregos”.

Reconhecendo “a particular responsabilidade daqueles sobre quem recai o ónus da decisão num tempo tão complexo”, “exige, por isso, a participação de todos no debate público, franco e aberto”. E reserva, “aos católicos, em particular, em razão dos valores com que iluminam as suas vidas, uma intervenção pública de diálogo, cooperação e serviço que ajude a humanizar o nosso mundo pelos caminhos da justiça e da paz”.

Já a concluir, a Comissão Diocesana Justiça e Paz de Coimbra, ao citar o Papa Francisco quando dizia “não a um dinheiro que governa em vez de servir”, enfatiza que “urge sobremaneira lutar pelo acesso universal ao trabalho, enquanto meio de sobrevivência e de realização humana, pela sua remuneração digna e pela humanização das condições e relações laborais em razão do bem da pessoa e da comunidade”.

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