Coimbra
Coimbra: Um dos últimos vendedores do Borda d’Água continua firme após 60 anos a vender o jornal do povo
O Notícias de Coimbra esteve esta quarta-feira, 7 de janeiro, na Feira dos 7, onde encontrou António Lourenço, um vendedor ambulante que há mais de seis décadas mantém viva a tradição do Borda d’Água, o jornal do povo que “dura todo o ano”.
António explicou a origem da sua paixão pelo Borda d’Água: “Andava pelas feiras com os meus padrinhos quando era pequenito. Eles vendiam e eu ia entretido a vender sacas e uns bordas de água prontos. E assim começou… e nunca mais parei.”
Apesar de ter também exercido a atividade de serralheiro mecânico, António diz que sempre manteve a venda ambulante do Borda d’Água. Hoje, ele é praticamente o único vendedor da região de Coimbra, sendo que apenas existe mais um na Lousã.
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Quanto às feiras em que participa, António afirmou: “Passam umas sete ou oito. Tenho a Feira dos 7, estive ontem em Cantanhede, vou à Palhaça, costumo ir a Tábua e às vezes a Miranda. Mas já não dá para ir a todas, é só para rever os amigos.”
O vendedor também destacou os pregões com que anuncia os jornais: “O Borda d’Água é para o novo ano. É o jornal do povo que dura todo o ano.” Além deste, António vende também o Seringador, um almanaque mais antigo, com 97 anos de história.
Sobre a tradição e a continuidade do negócio, o septuagenário foi categórico: “Sempre vendi e sempre vou continuar a vender enquanto for vivo. Sempre nas feiras. Raras vezes vou para a Rua da Sofia, porque antigamente havia um colega meu que vendia lá.”
O preço do Borda d’Água é simbólico: 3 euros, e António garante que a sua voz e experiência fazem a diferença: “É fácil, é ter voz. E eu tenho, estou treinado.”
Em direto na Feira dos 7, António mostrou a vitalidade desta tradição centenária, vendendo mais um Borda d’Água, mantendo viva a cultura popular de Coimbra e o contacto direto com a população.
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