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Justiça

Coimbra: Sequestro e um roubo ‘sui generis’ a contas com a Justiça

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Excesso de zelo na cobrança de uma alegada dívida a uma empresa vai ditar a condenação, pelo Tribunal de Coimbra, de dois rapazes, acusados de roubo em concurso com eventual crime de sequestro.

Sem embargo de reconhecer que agiu mal, o principal arguido enveredou por um registo de desculpabilização que levou o presidente de um colectivo de juízes a expressar ao jovem “pouca paciência para histórias”.

Os arguidos, que até podem mentir, não podem é aspirar a que o Tribunal aceite acriticamente qualquer versão veiculada, advertiu o juiz João António Ferreira.

O episódio imputado pelo Ministério Público aos rapazes consiste na cobrança de uma alegada dívida, cuja existência é negada pela vítima de sequestro, um idoso de apelido Pita.

Consta que a dívida talvez tenha sido contraída por uma ex-companheira da vítima, tendo o advogado dos arguidos lamentado “falta de vontade de pagá-la”.

Apesar da ilicitude, o defensor fez notar que a cobrança ocorreu em contexto de desempenho laboral na medida em que um dos jovens era funcionário de uma empresa de comércio de tintas.

O advogado, que preconizou uma “especial atenuação” da sanção face às idades dos arguidos, remeteu para condenação a pena de cadeia suspensa na sua execução (não superior a cinco anos).

“Se alguém fosse para fazer mal” a A. S Pita, identificava-se perante o filho dele através de um telefonema?, questionou o causídico.

Num depoimento pouco linear, o idoso disse ter sido posto numa viatura, depois de o principal arguido haver ido buscá-lo a casa.

Volvidas umas horas de viagem, transportado como se de uma mercadoria se tratasse, sofreu escoriações e não quer recordar o pesadelo por que passou.

“Foi complicado”, desabafou o queixoso, que prestou depoimento com os arguidos fora da sala de audiências.

Além de ter entregado ao principal arguido um cartão bancário de levantamentos e o respectivo código, para uma operação que se gorou, Pita ficou sem um milhar de euros e sem um aparelho doméstico.

Carlos, filho da vítima, confirma ter recebido uma chamada telefónica feita a partir do telemóvel do pai, aparelho que o proprietário não voltou a ver.

Depois do episódio por que passou, A. S. Pita ficou inseguro, triste e enrascado, segundo relatos de testemunhas.

“Nunca mais foi o mesmo”, sintetiza o depoimento testemunhal de Anabela Jorge, que foi prestadora de serviços à vítima.

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