Coimbra

Coimbra: Preços dos bens essenciais continuam a subir de forma assustadora e imprevisível (com vídeos)

Zilda Monteiro | 2 anos atrás em 10-10-2022

O preço dos bens essenciais não para de subir para grande preocupação das famílias que começam a ter dificuldades em fazer face a todas as despesas.

PUBLICIDADE

Sem saber onde cortar, procuram manter a despensa com tudo o que precisam mas optam por comprar em menos quantidade, sempre com a esperança de que na próxima ida às compras possam já deparar-se com preços mais económicos.

A carne, o peixe e os legumes são setores onde a inflação é “assustadora”, perspetivando-se que os preços continuem a subir, de forma imprevisível.

PUBLICIDADE

publicidade

PUBLICIDADE

publicidade

O Notícias de Coimbra saiu, esta segunda-feira, à rua, onde ouviu comerciantes de várias áreas e também consumidores, partilhando todos grandes preocupações sobre o futuro.

PUBLICIDADE

No Mercado Municipal D. Pedro V, em Coimbra, o movimento era escasso. Segunda-feira é o dia “mais fraco” como todos destacaram. A maioria das bancas estava encerrada e, nas poucas que permanecem abertas, os clientes contavam-se pelos dedos.

Os comerciantes já estão habituados e não desanimam, até porque sabem que este é um dia mais calmo. Estão mais preocupados com as constantes subidas dos preços e com as dificuldades que têm em evitar as subidas.

Na área da peixaria, Manuel Costa tinha apenas a companhia da televisão. Dono da Peixaria Neves, está no Mercado há 43 anos e assume que nunca viveu um período como este. As quebras, diz, “chegam aos 80%”. Vende bacalhau e peixe congelado e, apesar da subida ser geral, é mais evidente no bacalhau, com os “preços quase a duplicarem”. “Rei” à mesa dos portugueses, este continua a ser um produto muito procurado mas o aumento do custo leva as pessoas a pensarem bem naquilo que vão escolher e na quantidade que vão comprar.

O peixe e a carne são os produtos onde se verificam os maiores aumentos, assim como nalguns legumes, cujos preços quase que triplicaram.

Fernando Gerardo, com 56 anos de experiência na área do talho, dá conta que o preço da carne tem vindo a subir todas as semanas e que a tendência é para aumentar. No último ano “já subiu 25% e, em média, todas as semanas aumenta 2%”.

A carne de vaca é onde se nota a maior subida mas no frango é também muito significativa. “Deixou de ser a comida dos pobres. Era o produto em que as pessoas se refugiavam mais porque era muito barato. Agora isso mudou e as coisas estão um pouco complicadas”, sublinha. A escassez de animais, a seca, o problema da guerra e o aumento dos custos transversais a todas as áreas são alguns dos motivos que aponta para esta subida tão significativa.

“A primeira coisa que as pessoas fazem é perguntar o preço”, conta, recordando tempos recentes em que o cliente se aviava sem questionar. Lamenta que hoje paguem muito mais por aquilo que compram e que não haja forma de garantir o preço semanalmente.

Legumes triplicam, fruta depende das escolhas

Se compra regularmente legumes, já sabe que paga hoje muito mais do que até há poucos meses atrás. Há artigos que quase triplicaram de preço, como contou ao Notícias de Coimbra Liliana Sousa, funcionária do Rei da Fruta, na Rua Dr. Manuel Rodrigues.

A couve, por exemplo, passou de 0,99 euros para 3,29. Agora já baixou mas, mesmo assim, custa 1,99. O tomate é outro dos produtos que registou uma grande subida, mais de um euro por quilo, custando agora perto de três euros. A alface também atingiu valores recordes, ao chegar quase aos 4 euros. Baixou para cerca de 2,70, preço que está ainda muito acima do que era normal.

Nas frutas o aumento não é tão significativo, com algumas exceções. No Mercado Municipal D. Pedro V há 48 anos, Deolinda Bento explica que o preço das frutas portuguesas se tem mantido mas que se verifica o aumento de algumas que vêm do estrangeiro, como a banana, o mamão, a manga e a papaia. Apesar disso, a postura dos clientes é de contenção. “Os clientes dizem que não se pode estragar nada mas continuam a vir”, conta. Queixam-se? Obviamente que sim, até porque, como diz, “isso já é típico do português”.

Pão já subiu duas vezes este ano

O pão é outro dos bens essenciais que tem sofrido aumentos. De acordo com Gracinda Antunes, da Padaria Mimosa, este ano “já subiu duas vezes”. Explica que tudo tem vindo a aumentar – farinha, fermento, água e luz – mas entende que não se pode mexer nos preços sempre que a matéria prima sobe. Compreende que estes dois aumentos já mexeram “muito na carteira das pessoas”, uma vez que o bico subiu 4 cêntimos e o pão grande 20 cêntimos.

A parte da pastelaria também aumentou duas vezes, com cada pastel a subir 20 cêntimos no total.

Apesar de custar a todos, Gracinda Antunes sublinha que é preciso “ir atualizando os preços para ir fazendo face às despesas da casa”. Compreende as reclamações dos clientes porque os aumentos são em todas as áreas e “no final do mês o dinheiro cada vez é menos”.

O regresso das marmitas

Nos restaurantes a crise também é muito sentida. O aumento do custo de vida está a levar as pessoas a mudarem as suas rotinas, optando por soluções mais económicas ou criando o hábito de levar a marmita.

Paula Oliveira, gerente da Tasquinha da Paula, na Baixa de Coimbra, assume que se sente “uma quebra grande no movimento”, sobretudo depois de ter aumentado o preço da diária 0,50 cêntimos (de 8 passou para 8,50 euros). Diz que “está tudo muito caro e é difícil gerir” e compreende que não está fácil para os clientes. “Há quem opte por trazer marmita mas temos também clientes que comiam o prato completo e que agora optam mais por sandes e sopa”, refere.

As dificuldades começam a ser muitas e têm vindo a acentuar-se de dia para dia. Paula Oliveira assegura que vai “tentar aguentar” mas está consciente de que “não é fácil com todas as despesas a aumentarem”.

Famílias fazem cada vez mais contas

Os tempos são de incerteza para todos. Às preocupações dos empresários juntam-se os lamentos das famílias que fazem cada vez mais contas para fazer render o orçamento até ao final do mês.

Fernando Cadete, 54 anos, está “muito preocupado” com o aumento permanente do preço dos bens essenciais. Com uma família com três elementos, queixa-se das subidas que se verificam nos preços de cada vez que vai às compras e sublinha que “os ordenados não acompanham” esta inflação.

“Há produtos que triplicaram de preço. Onde se nota mais os aumentos é nos bens essenciais do dia a dia – pão, carne, peixe… -, onde não se pode cortar. Não vejo como reduzir as despesas. Só se se passar fome”, sublinha, adiantando que “está a comprar menos e a gastar mais”.

Clara Azevedo diz que nos últimos meses a reforma não dá para pagar as despesas. Ao preço da renda de casa, junta-se o custo mensal dos medicamentos e as restantes despesas “certas”. Já começou a cortar onde pode, mantendo apenas a televisão e o frigorífico. Quanto aos alimentos, já reduziu no pão e é defensora acérrima do “desperdício zero”. Com 71 anos, diz que não se lembra de “uma crise assim” e lembra os tempos em que a mãe criou oito filhos, épocas idas em que as pessoas tinham um quintal ao pé da porta e animais para sustentar as famílias.

Cabaz de bens essenciais já custa mais de 210 euros

O preço do cabaz de bens essenciais já custa mais de 210 euros, mais cerca de 27 euros do que em fevereiro, antes do início da guerra da Ucrânia. Os números são da DECO que dá conta que os maiores aumentos se verificam na carne e no peixe.

Os preços não param de subir e sentem-se em todas as categorias alimentares. De acordo com os dados divulgados, entre 23 de fevereiro e 5 de outubro, o peixe já registou um aumento de 18,99% (mais 11,45 euros). “Fazendo as contas a apenas um quilo de salmão, de pescada, de carapau, de peixe-espada-preto, de robalo, de dourada, de perca e de bacalhau, o consumidor pode ter de gastar, em média, 71,76 euros. A carne, por sua vez, aumentou 17,6% (mais 5,67 euros). Para comprar um quilo de lombo de porco, de frango, de febras de porco, de costeletas do lombo de porco, de bifes de peru, de carne de novilho para cozer e de perna de peru, o gasto pode agora ser, em média, de 37,92 euros”, refere a DECO.

Veja os vídeos dos diretos NDC:

Related Images:

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE