A Rua da Louça, na Baixa, apresenta-se quase deserta, mas alguns estabelecimentos mantêm portas abertas — ainda que “ao postigo”, numa imagem que faz recordar os tempos da pandemia. Entre eles está a mercearia e frutaria de Maria Alice, onde sacos de areia e medidas de prevenção tentam travar a possível entrada de água perante previsões de cheias históricas.
João Carlos, responsável pelo espaço, explicou que os preparativos se prolongaram até tarde: “Era quase meia-noite… arrumámos as coisinhas para cima”. A prioridade foi elevar mercadorias e equipamentos para minimizar prejuízos caso o pior se confirme.
Apesar da incerteza, a loja decidiu manter-se aberta, sobretudo como forma de prevenção. “Viemos mais cedo para prevenir”, afirmou.
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Com quatro décadas dedicadas ao comércio na Baixa, Maria Alice não esconde a emoção ao falar do risco que enfrenta. “É muito triste, porque é uma vida inteira a trabalhar… ver isto tudo assim, apesar de já ter cá entrado água, mas com estas previsões nunca pensámos.”
Entre nervosismo e esperança, Maria Alice admite o maior temor: “É o medo de perder tudo.” Ainda assim, mantém a fé de que as previsões não se concretizem: “Tenho muita fé que isto possa mudar e que não venha água cá para dentro.”
(em atualização)
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