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Coimbra: ISEC inventa sistema inteligente para tratamento de efluentes da indústria corticeira

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Luís Castro, professor no Instituto Superior de Engenharia (ISEC), lidera a invenção, que tem uma patente submetida pelo Politécnico de Coimbra e apresenta vantagens ambientais e económicas.

O novo sistema diferencia-se pela capacidade de tomada de decisão automática, decorrente da análise continua da qualidade do efluente bruto da lavação de rolhas de cortiça. O processo inicia-se com recurso a uma consola de controlo que decide a separação do efluente industrial que carece de tratamento físico-químico, daquele que pode ser descarregado diretamente para a rede de saneamento, em conformidade com os Valores Limites de Descarga (VLD), com base na monitorização e mensurabilidade de parâmetros determinantes da qualidade e discriminação dos efluentes.

A invenção deste novo sistema inteligente contou com a colaboração de vários investigadores do Instituto Superior de Engenharia do Politécnico de Coimbra (ISECIPC). Luís Castro, docente e investigador do ISEC-IPC e coordenador do projeto, explica que a solução é “sustentável” uma vez que beneficia o ambiente ao tratar exclusivamente a fração de efluente da indústria corticeira que necessita de tratamento reduzindo, dessa forma, o consumo de energia bem como a descarga no meio ambiente de produtos químicos usados no tratamento. No que respeita à comercialização do sistema, o
responsável afirma que “ao apresentar reais vantagens económicas e ambientais para a indústria corticeira, esta solução é comercializável”. 

O sistema desenvolvido compreende uma unidade de análise e tomada de decisão acerca da necessidade de tratamento do efluente à unidade e posterior tratamento físico-químico.

O equipamento divide-se em três zonas funcionais. A primeira promove a tomada de decisão acerca da necessidade de tratamento físico-químico do efluente bruto que é bombeado, pela bomba de alimentação para o tanque de decisão, no qual existe um conjunto de sensores de pH, turbidez e condutividade que mede os valores dos parâmetros caraterísticos do efluente bruto e os comunica à unidade de comando e controlo. Quando verificada a conformidade dos parâmetros o efluente é encaminhado para a rede de saneamento; caso tal não se verifique dá-se início ao processo de tratamento físicoquímico, na segunda zona, numa sucessão de fases de tratamento sequenciais que envolvem a coagulação, neutralização e floculação. A terceira e última zona envolve a separação das lamas formadas num decantador lamelar.

No âmbito das suas aplicações incluem-se empresas do setor da indústria corticeira, mas pode ser também aplicável a outros setores industriais cujos efluentes possuam caraterísticas similares.

Segundo Sara Proença, Pró-Presidente do Politécnico de Coimbra para a Inovação e Empreendedorismo, “trata-se de um sistema inovador que foi objeto de um pedido de concessão de patente, por parte do IPC, junto do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).” “A proteção, valorização e transferência para a sociedade do conhecimento científico e tecnológico gerado no seio da nossa comunidade académica é um objetivo estratégico do Politécnico de Coimbra”, afirma a responsável.

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