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Coimbra

Coimbra: Espetáculo chama a atenção para anfiteatro “esquecido”

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A companhia Trincheira Teatro apresenta em 04 e 05 de setembro o espetáculo “Os Gigantes da Montanha”, no anfiteatro de Santo António dos Olivais, um espaço de Coimbra cuja verdadeira função “estava há muito esquecida”.

As folhas que caíram no outono ainda estão pelo palco, as bancadas da estrutura semicircular há muito que não são limpas e ervas daninhas crescem nas escadarias, muito usadas pelos habitantes daquela zona para fazerem exercício físico, que, durante os ensaios da companhia, tanto optam por ignorar os atores como decidem parar o que estavam a fazer para contemplar, com curiosidade, uma cena que se vai desenrolando.

O anfiteatro de Santo António dos Olivais, situado nas costas do edifício Diaton e da igreja da freguesia, junto à Calçada do Gato, vai ser o espaço para a peça “Os Gigantes da Montanha”, de Luigi Pirandello, cujo texto também dialoga com o próprio destino daquele local.

“Eu estudei e vivi aqui e nunca tinha passado por este espaço. Já depois de ter terminado o curso, vim aqui e fiquei apaixonado por isto e achei um desperdício não ser usado. Aliás, ele é usado – as pessoas vêm para aqui correr e fazer exercício -, mas a sua verdadeira função estava esquecida”, contou à agência Lusa Hugo Inácio, que dirige o espetáculo, juntamente com Telmo Ferreira.

O espetáculo, que envolve mais de 20 artistas, foi um dos projetos vencedores do orçamento participativo Coimbra Jovem Participa, na altura apenas com a proposta de se avançar com uma peça para aquele espaço, ainda sem texto escolhido.

A escolha de “Os Gigantes da Montanha” não é inocente, nota Hugo Inácio, salientando que o texto “tem tudo a ver com a escolha do sítio”.

“Tal como o sítio estava esquecido da sua real função, que era a de juntar pessoas à volta de uma ficção, este texto também fala disso. Fala de uma pessoa, a Ilse [Paulsen], que se esqueceu em tempos na sua vida de que era atriz e foi viver com um conde para um palácio, até que um poeta surge e diz-lhe: ‘Isto não é o que queres fazer. Tu tens aí outra coisa, mas ficaste com medo. Tu queres viver da tua paixão’. E isso faz com que a condessa saia do palácio e volte a pegar no teatro e volte a tentar levar a palavra daquele poeta às pessoas”, contou Hugo Inácio.

O jovem ator e membro da Trincheira Teatro acredita que “a partir do momento em que as pessoas entrem em contacto com este espaço não há outra hipótese” que não dar-lhe outra atenção.

“Uma cidade que vai concorrer à Capital Europeia da Cultura [2027] tem que preservar e potenciar estes espaços. Ninguém fica indiferente a este espaço. Há uma mística que é das coisas mais maravilhosas que vi nesta cidade”, salientou.

Por o espetáculo ter que ser feito durante o dia, o trabalho de luz, que seria importante para a peça, será substituído pela música.

Ricardo Jerónimo, que dirige o ensemble de cinco músicos que trabalham com cerca de 20 instrumentos, explicou à agência Lusa que a música tanto surge apenas como um elemento de sonoplastia como em formato de canção.

“Algumas personagens têm até um instrumento musical ou tema melódico específico que lhe ficam associados. Noutros momentos, é pura sonoplastia de reagir a gestos ou movimentos e depois também surge a música enquanto substituto da iluminação – às vezes é preciso uma luz baixa, noutras é preciso cor – e a música tem quase essa visão de um técnico de luz”, aclarou.

Hugo Inácio acredita que este é também um passo importante para a Trincheira Teatro, companhia criada em 2014, e que ainda procura consolidar a sua presença na cidade.

“Gostaríamos que isto fosse um salto, mas mais importante que uma profissionalização seria a gente arranjar um espaço para nós”, frisou.

O espetáculo vai ser apresentado em 04 e 05 de setembro, às 17:30, tendo uma lotação para 98 espetadores e dois lugares para pessoas com mobilidade reduzida.

As reservas podem ser feitas através do contacto [email protected]

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