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Coimbra dos sem casa

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A Câmara de Coimbra não consegue dar resposta às pessoas que se deslocam ao departamento da autarquia, às quintas-feiras, para engrossar os cerca de mil pedidos de habitação social.

No Departamento de Habitação, ouvem-se histórias muito diferentes de há quatro anos, surgindo “muitas mulheres, algumas com licenciatura, que tiveram emprego e que agora não conseguem pagar a casa”, “gente a viver do abono ou da bolsa do filho que está no ensino superior” ou pessoas que “estão sem comer há mais de um dia”, conta Francisco Queirós, vereador da CDU e responsável pelo pelouro da habitação.

Do milhar de pedidos, cerca de 440 estão processados e formam a lista de pedidos de emergência, alguns à espera de habitação há mais de três, quatro e cinco anos, sendo a elencagem feita através de fatores como “número de filhos, risco de despejo e carência económica”.

Muitas das famílias que estão na lista estão em “despejo iminente”, por não pagarem a “prestação ao banco ou a renda ao senhorio”, sendo que o objetivo é sempre “ganhar tempo”, o que Francisco Queirós admite “ir conseguindo”.

Apesar disso, o sentimento de Francisco Queirós e dos técnicos do departamento é de “impotência”, porque “enquanto se dá resposta a dois ou três pedidos chegam mais uma dúzia de processos”.

“É dramático. Dá vontade de devolver os processos todos ao Governo, que é o responsável por isto”, desabafa, explicando que, de momento, os únicos lotes vagos estão devolutos, prevendo-se a reabilitação de vários fogos no Bairro de Celas, Fonte da Talha e Fonte do Castanheiro.

A autarquia é proprietária de 850 lotes e tem cerca de cem arrendados ao mercado privado, ao abrigo do programa Prohabita, do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana. Contudo, “não são suficientes”, diz o vereador.

“Há muitas famílias a bater no fundo. O rendimento não dá para pagar a casa e não dá para viver com dignidade”, conta, frisando que “a fome existe”, que há “desespero, medo e tensão”, movidos pela possibilidade de se ficar na rua, “sem nada”.

Francisco Queirós recorda episódios de “um novo paradigma de pobreza”, como uma mulher a tirar doutoramento que foi pedir ajuda, ou um casal que na totalidade “ganhava 300 euros” e que tinha uma renda para pagar do mesmo valor.

O vereador sublinhou que “não há câmara em Portugal que consiga dar resposta a este problema social gravíssimo e que aumenta todos os dias”, recordando também que há mais de 11 mil casas vazias em Coimbra.

Apesar de considerar que “a habitação é parte do problema”, é a falta de rendimentos que “dificulta mais” o trabalho do departamento de habitação da Câmara.

Apontando para a lista de pedidos de emergência, avisa: “isto é apenas a ponta do iceberg”.

O vereador da Câmara de Coimbra não sabe o dia em que as pessoas que estão na lista de espera vão engrossar a população sem-abrigo da cidade, mas garante que “esse dia vai chegar. Não sei se amanhã ou no próximo mês, mas vai chegar”.

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