Saúde

Cientistas estudaram melhor a gripe e descobriram algo inesperado

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 23-01-2026

Um estudo inovador da Universidade de Maryland, nos EUA, mostrou que passar vários dias em contacto próximo com pessoas infectadas com gripe nem sempre leva à transmissão do vírus.

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Voluntários viveram confinados num quarto de hotel com doadores da gripe, jogando, partilhando objetos e exercitando-se juntos em condições desenhadas para favorecer a propagação do vírus. Mesmo assim, ninguém contraiu a doença.

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“O que este estudo demonstra é que a gripe não se espalha tão facilmente em todos os contextos como se pensava”, afirma o investigador principal, John Smith.

O vírus da influenza é conhecido por se propagar através de aerossóis – pequenas gotículas libertadas quando alguém tosse, espirra ou até respira – e através de superfícies contaminadas, chamadas fômites, como maçanetas ou telemóveis. No entanto, a eficiência da transmissão depende de fatores como a quantidade de vírus emitida, a temperatura, a humidade e a proximidade entre as pessoas, pode ler-se na Science Alert.

Para investigar quais destes fatores são mais importantes, os investigadores reuniram grupos de voluntários em quartos de hotel, misturando “doadores” com infeção ativa e “receptores” não infectados. Foram criadas duas versões do experimento: num caso, um doador dividia quarto com oito receptores; noutro, quatro doadores conviviam com três receptores. A temperatura foi mantida entre 22 °C e 25 °C e a humidade relativa entre 20% e 45%, com baixa ventilação para simular condições favoráveis à transmissão.

Durante três a sete dias, os participantes passaram horas juntos, jogaram cartas, participaram em aulas de dança ou ioga e partilharam objetos como marcadores, microfones e tablets. Os investigadores monitorizaram a presença do vírus no ar, na saliva, na boca dos doadores e nos objetos partilhados.

Apesar do contacto próximo, nenhum dos receptores ficou infetado. Alguns apresentaram sintomas leves, como dores de cabeça, mas não houve evidências de infeção gripal.

Os investigadores sugerem três razões principais para o insucesso da transmissão:

  1. Baixa emissão de vírus pelos doadores: os adultos infetados libertaram quantidades relativamente pequenas de vírus, talvez devido à idade, à cepa ou à presença de poucos sintomas.
  2. Imunidade parcial dos receptores: todos tinham experiências prévias de gripe e alguns foram vacinados em anos anteriores, incluindo um participante na temporada atual.
  3. Circulação do ar no quarto: o uso de ventiladores dispersou as partículas virais, diluindo o vírus e reduzindo a quantidade inalada.

“O estudo reforça que a tosse e o espirro são os principais vetores de transmissão, especialmente quando se trata de indivíduos que eliminam grandes quantidades de vírus, as chamadas supertransmissoras”, explica Smith. “A imunidade prévia e a ventilação adequada também desempenham papéis cruciais.”

Os autores salientam que o estudo não indica que a gripe seja inofensiva ou difícil de contrair. Todos os anos, milhões de casos ocorrem em todo o mundo, e a transmissão por aerossóis continua a ser um fator central. No entanto, o trabalho evidencia que nem todos espalham o vírus na mesma proporção e nem todos são igualmente suscetíveis.

Para reduzir o risco de transmissão, os investigadores recomendam que pessoas com sintomas de gripe se isolem sempre que possível, usem máscara bem ajustada e garantam boa ventilação em espaços pequenos. A vacinação continua a ser uma ferramenta essencial de prevenção.

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