Cientistas estão mais próximos do que nunca de uma verdadeira revolução nos transplantes de rim: uma forma de tornar órgãos de doadores compatíveis com qualquer recetor, independentemente do tipo sanguíneo.
Após mais de uma década de trabalho, uma equipa de investigadores de instituições no Canadá e na China relatou ter criado um rim “universal” que, em teoria, pode ser aceite por qualquer paciente. Este avanço poderá acelerar consideravelmente o tempo de espera por transplantes e salvar milhares de vidas.
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No teste realizado, o órgão modificado sobreviveu e funcionou durante vários dias no corpo de um recetor em morte cerebral, com consentimento da família para investigação.
O método utilizado envolve enzimas especiais que removem os marcadores de antigénios do tipo sanguíneo — algo semelhante a “retirar a tinta vermelha de um carro e expor o primer neutro por baixo” — permitindo que o sistema imunitário deixe de identificar o rim como “estranho”.
Actualmente, pessoas com sangue tipo O — que representam mais da metade das listas de espera para um rim — têm de aguardar muito mais tempo por um órgão compatível. Com esta tecnologia, órgãos de diferentes tipos sanguíneos poderiam ser usados, aumentando drasticamente o número de rins disponíveis.
Apesar dos resultados promissores, ainda existem desafios antes de estes órgãos poderem ser usados em transplantes clínicos regulares. Em testes, o rim começou a mostrar novamente sinais do antigénio original ao terceiro dia, desencadeando uma resposta imunitária menos intensa do que o normal — algo que cientistas esperam gerir com terapias adicionais no futuro.
Esta investigação foi publicada na revista científica Nature Biomedical Engineering e representa um passo significativo na superação das barreiras de compatibilidade sanguínea nos transplantes renais.