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‘Cidade perdida’ nas profundezas do oceano é diferente de tudo o que já se viu na Terra

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 28 minutos atrás em 26-01-2026

Imagem: Scient Alert

A oeste da Dorsal Mesoatlântica, próximo ao topo de uma montanha subaquática, ergue-se uma paisagem única: torres de carbonato azul fantasmático que emergem da escuridão, formando o chamado Campo Hidrotermal da “Cidade Perdida”. Descoberto em 2000 a mais de 700 metros de profundidade, este é o ambiente de emissão hidrotermal mais antigo conhecido nos oceanos.

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As chaminés e colunas variam desde pequenas pilhas semelhantes a cogumelos até um monólito de 60 metros de altura, apelidado de Poseidon. Apesar da natureza extrema do local, as fissuras e aberturas libertam hidrogénio, metano e outros gases que alimentam comunidades microbianas, mesmo na ausência de oxigénio. Caracóis, crustáceos, caranguejos e camarões conseguem sobreviver neste ecossistema raro e repleto de vida.

Em 2024, investigadores anunciaram a recuperação recorde de uma amostra de núcleo de rocha de 1.268 metros do Campo Hidrotermal, que poderá fornecer pistas sobre a origem da vida na Terra. Segundo os cientistas, os hidrocarbonetos presentes nas fumarolas da Cidade Perdida não resultam do dióxido de carbono atmosférico ou da luz solar, mas sim de reações químicas no fundo do mar — blocos de construção que podem indicar que habitats como este terão sido cruciais para o surgimento da vida, não só na Terra, mas possivelmente em luas como Encélado ou Europa, ou até Marte no passado.

Diferente das fontes hidrotermais negras, dependentes do calor do magma, as chaminés de calcita da Cidade Perdida produzem até 100 vezes mais hidrogénio e metano, sendo muito maiores e mais duradouras. A zona nordeste apresenta ainda penhascos com períodos breves de atividade, descritos por cientistas como “chorando” fluido que forma delicadas estruturas carbonáticas, semelhantes a dedos apontados para cima.

No entanto, o habitat enfrenta ameaças humanas. Em 2018, a Polónia garantiu direitos de exploração das profundezas marinhas próximas à Cidade Perdida, podendo alterações no entorno afetar gravemente este ecossistema. Especialistas defendem que a área seja classificada como Património Mundial, para garantir a proteção desta maravilha natural antes que seja tarde, pode ler-se na Science Alert.

Durante dezenas de milhares de anos, a Cidade Perdida manteve-se como testemunho da força duradoura da vida. Cientistas alertam que preservar este ecossistema é essencial, antes que a intervenção humana destrua este tesouro subaquático.