Cão comunitário agredido até à morte por adolescentes em Florianópolis choca o Brasil
O caso do cão comunitário Orelha, vítima de agressões violentas na Praia Brava, em Florianópolis, está a gerar forte indignação no Brasil. O animal foi atacado por quatro adolescentes no início de janeiro e acabou por ser eutanasiado devido à gravidade dos ferimentos.
Segundo as autoridades brasileiras, as agressões terão ocorrido no dia 4 de janeiro, embora a denúncia só tenha sido formalizada a 16 do mesmo mês. Orelha foi encontrado em estado grave por moradores da zona, que o transportaram de imediato para uma clínica veterinária. Apesar dos esforços, o animal não resistiu e foi submetido a eutanásia no dia seguinte.
De acordo com informações avançadas pela Polícia Civil, os exames periciais confirmaram que o cão foi atingido na cabeça com um objeto contundente. Embora não existam imagens do momento exato das agressões, os investigadores reuniram testemunhos e cruzaram dados com ocorrências semelhantes registadas na mesma área, o que permitiu identificar os suspeitos.
As autoridades revelaram ainda que o mesmo grupo terá tentado afogar outro cão, conhecido como Caramelo, também na Praia Brava. No decurso da investigação, três adultos — pais e um tio dos adolescentes — foram indiciados por suspeitas de coação a testemunhas, numa tentativa de interferir com o processo.
Orelha era um cão comunitário bem conhecido na Praia Brava, onde existiam abrigos próprios para animais que se tornaram mascotes da zona. Era alimentado diariamente por moradores e muito acarinhado por turistas e residentes. “Era um cão dócil, brincalhão e muito querido por todos”, recordou a veterinária Fernanda Oliveira.
Também o aposentado Mário Rogério Prestes, que cuidava dos cães da praia, sublinhou o papel da comunidade: “Eles dependiam de nós para tudo. O Orelha fazia parte do nosso dia a dia.”
O caso motivou reações internacionais, incluindo da organização portuguesa IRA, que usou as redes sociais para sublinhar a importância da educação e da empatia. “A violência contra os animais não surge do nada. Aprende-se — tal como o respeito”, defendeu a associação, apelando a mais ações educativas junto das crianças e jovens.
A morte de Orelha reacendeu o debate sobre maus-tratos a animais e responsabilidade social, num caso que continua a marcar a opinião pública brasileira.