Região
Chaminé substituída por novo elemento arquitetónico no Serviço de Urgência Básico e Centro de Saúde de Arganil
A chaminé da antiga fábrica de resina, localizada no terreno onde está a ser construído o novo Serviço de Urgência Básico (SUB) e Centro de Saúde de Arganil, na Avenida de São Pedro, na EN 342, será demolida em breve, por motivos de segurança estrutural.
Com cerca de 20 metros de altura, construída em alvenaria de tijolo, com base quadrada e corpo em cone, a chaminé constitui um dos elementos mais singulares do espaço anteriormente ocupado pela unidade industrial. Atendendo à sua relevância e ao enquadramento no novo equipamento de saúde, o Município de Arganil promoveu uma avaliação técnica aprofundada da estrutura, realizada pelo Itecons – Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade.
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O estudo, desenvolvido de acordo com as normativas europeias em vigor, incluiu o levantamento de anomalias existentes e a análise da resposta estrutural da chaminé às ações regulamentares, nomeadamente ao vento e à ação sísmica. As conclusões apontam para fragilidades significativas, excedendo as tensões de tração admissíveis, o que significa que a chaminé não cumpre os critérios atuais de segurança estrutural.
Face às conclusões técnicas, à obrigatoriedade de cumprimento da regulamentação aplicável, e à necessidade imperiosa de salvaguardar a segurança de pessoas e bens, nada fazer seria uma total irresponsabilidade e constituiria incumprimento dos regulamentos de segurança. Mesmo admitindo intervenções de reparação das anomalias identificadas, o relatório técnico conclui que a estrutura não apresentaria capacidade de resistência adequada face às ações do vento e aos efeitos sísmicos calculados de acordo com a legislação aplicável.
Perante este enquadramento técnico, e tendo como prioridade a segurança de pessoas e bens, o Município de Arganil decidiu avançar para a demolição da chaminé existente. A intenção inicial passava por proceder à sua reconstrução, reproduzindo a forma tradicional da estrutura original. Contudo, a autarquia optou por uma abordagem mais aberta e contemporânea, lançando um concurso de ideias que vai desafiar arquitetos a apresentar propostas para um novo elemento arquitetónico que marque o espaço e substitua simbolicamente a antiga chaminé.
“Esta chaminé é um elemento marcante da memória industrial deste local e da história recente de Arganil”, sublinha o presidente da Câmara Municipal. “Entendemos que a sua substituição, por razões de segurança, não deve apagar essa memória, mas antes ser uma oportunidade de a reinterpretar e adaptar aos dias de hoje”.
Luís Paulo Costa explica que este concurso de ideias “pretende precisamente desafiar arquitetos a apresentar propostas que valorizem este espaço, criando um novo elemento de referência, integrado num equipamento de saúde determinante para o concelho”.
Recorde-se que os vereadores do Partido Socialista no município de Arganil criticam a aprovação da demolição da “chaminé prevista na construção do novo Centro de Saúde e SUB de Arganil”. Em comunicado, consideram que esta decisão representa “um “golpe severo” na memória histórica da vila e uma gestão financeira incompreensível”.
Na nota, é dito que “a chaminé em causa, que já fazia parte do terreno adquirido para a construção deste Centro, construída em alvenaria de tijolo burro, é mais do que uma estrutura de engenharia, é um elemento icónico do património arquitetónico industrial de Arganil, que perpetua a memória de uma antiga Fábrica de Resina que ali laborou”.
“Assistimos a um ato de crueldade patrimonial”, afirmam os vereadores do PS. E frisam: “Estas estruturas são preservadas em todo o país como símbolos de uma era industrial. Em Arganil, a maioria do executivo PSD prefere o caminho mais fácil, da destruição em vez da preservação que a nossa história exige”.
Para além do valor histórico, os vereadores do Partido Socialista alertam para o impacto financeiro negativo desta decisão. A proposta de demolição baseou-se num relatório do ITeCons – Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade, encomendado pelo próprio empreiteiro da obra e que revela valores preocupantes: A Câmara Municipal decidiu abdicar de 8.679,68 euros que estavam destinados à reabilitação da estrutura e em contrapartida, aprovou o gasto de 14.750,00 euros para a sua demolição.
“É inaceitável que o município opte por pagar quase o dobro para destruir um símbolo histórico do que pagaria para o recuperar. Não houve sequer a vontade política de solicitar ao ITeCons um estudo para o reforço da estabilidade da chaminé”, sublinham os eleitos do PS.
A bancada do PS lamenta ainda que uma decisão com este impacto tenha sido tomada numa reunião que não foi pública e com o aval da entidade fiscalizadora (Invall Portugal), sem que tenham sido esgotadas todas as vias técnicas para a manutenção da chaminé.
A proposta foi aprovada com 4 votos a favor do PSD e 3 votos contra do PS. Na sua declaração de voto, os vereadores socialistas reiteraram que o património não é um obstáculo, mas sim um ativo que deveria ser integrado com dignidade no novo Centro de Saúde, tal como havia sido previsto.
Este concurso terá associado um prémio monetário, reforçando o incentivo à apresentação de soluções criativas e qualificadas. As condições de participação e demais detalhes do concurso serão divulgados em breve, através dos canais oficiais do Município de Arganil.
Com esta decisão, a autarquia procura conciliar a memória do passado industrial do local com a criação de um novo espaço de referência, integrado num equipamento de saúde estruturante para o concelho, garantindo simultaneamente os mais elevados padrões de segurança e qualidade urbana.
A empreitada encontra-se atualmente na fase de execução da laje do rés-do-chão, prevendo-se que a demolição da chaminé ocorra após a conclusão destes trabalhos, previsivelmente na segunda quinzena de janeiro.
A construção do novo SUB e Centro de Saúde de Arganil representa um investimento global de 6,2 milhões de euros, dos quais cerca de 4 milhões de euros são financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A obra foi adjudicada à empresa António Saraiva e Filhos, Lda. e tem como objetivo dotar Arganil e os concelhos da região de um equipamento de saúde moderno, funcional e ajustado às exigências atuais na prestação de cuidados de saúde.
O projeto integra mais de 65 espaços distribuídos por dois pisos, concentrando diversas valências num único edifício. O equipamento contará com 31 salas e 34 gabinetes, assegurando uma resposta articulada entre o Centro de Saúde e o SUB. No que respeita à acessibilidade, o edifício dispõe de 46 lugares de estacionamento coberto, 34 lugares exteriores e quatro lugares reservados a ambulâncias.
O SUB de Arganil atende maioritariamente os concelhos de Arganil, Oliveira do Hospital, Tábua, Góis e parte de Pampilhosa da Serra e Penacova, enquanto o Centro de Saúde assegura atendimento a cerca de 12.200 utentes.
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