CES estuda os uso contemporâneo de património de origem colonial

Notícias de Coimbra | 7 anos atrás em 19-09-2017

Investigadores do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra vão participar num novo projeto europeu que estuda os usos contemporâneos dos patrimónios de origem colonial, informou hoje a instituição.

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rio de janeiro

O projeto “European Colonial Heritage Modalities in Entangled Cities” (ECHOES) junta várias universidades da Europa, Brasil, China e África do Sul e tem como base o dilema da história dos impérios coloniais se constituir “com base num passado comum que permanece até hoje silenciado nas narrativas oficiais do património”.

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A iniciativa, com um financiamento global de 2,5 milhões de euros, procura confrontar “diferentes visões de passados comuns e trazer o outro para o centro do debate”, adotando uma perspetiva “pós-colonial, conectando cidades europeias e não europeias, analisando práticas patrimoniais e culturais, iniciativas museológicas, explorando desafios e compromissos atuais desse legado”, explica o Centro de Estudos Sociais (CES), em nota enviada à agência Lusa.

Para um dos coordenadores do projeto em Portugal, Paulo Peixoto, o projeto “visa olhar para o património europeu de origem colonial de modo a tentar saber como é que esse património pode ser um agente promotor de políticas de multiculturalidade”.

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No caso português, será estudada a relação entre as cidades de Lisboa e Rio de Janeiro, como um caso de práticas patrimoniais que espelham um passado partilhado.

No entanto, as relações coloniais não se centram apenas entre países europeus e africanos ou americanos, mas também em relações coloniais dentro da própria Europa, como é o caso da Polónia, explicou.

“Queremos chamar um pouco a atenção das agendas europeias para as relações históricas de diferentes colonialismos. Há muita necessidade de fazer este apelo a um passado comum e partilhado e que chama a atenção para a questão da multiculturalidade na Europa”, numa altura onde surgem “discursos xenófobos” em vários pontos do continente, explanou.

Segundo o investigador do CES, é necessário “promover, no seio da União Europeia, um discurso pós-colonial”.

“Não é uma exaltação do passado colonial, não é dizer que esses tempos foram bons, mas promover projetos de investigação e políticas culturais que mostrem que a multiculturalidade é promotora de relações sociais positivas e não apenas de discursos de ódio”, realçou.

De acordo com Paulo Peixoto, é importante perceber “como é que a Europa se relaciona com esse passado comum e como é que os próprios países que foram ou são colonizados lidam hoje com a presença desse passado colonial”.

“Os europeus sempre tiveram dificuldade em perceber o outro, porque o colonialismo sempre foi feito numa relação de poder, em que quem tem poder tem dificuldade que os outros tenham reações negativas”, notou, considerando que o projeto também poderá ajudar a colocar o europeu “na pele do outro”.

O projeto arranca em fevereiro de 2018 e vai ser desenvolvido ao longo de três anos, contando o CES com 400 mil euros dos 2,5 milhões do financiamento global do ECHOES.

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