Cientistas conseguiram preservar com sucesso o cérebro de um porco mantendo a sua atividade celular quase intacta e com danos mínimos, utilizando uma técnica inovadora que pode, no futuro, ser aplicada a cérebros humanos de pacientes com doença terminal.
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A pesquisa foi divulgada recentemente no repositório bioRxiv.
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O objetivo do estudo é conservar toda a informação neural necessária para, eventualmente, reconstruir a mente da pessoa a quem o cérebro pertencia. Borys Wróbel, líder do projeto na empresa Nectome, em Portland, Oregon, afirma à New Scientist que a ideia é “manter o corpo e o cérebro essencialmente indefinidamente, na esperança de que no futuro seja possível ler a informação contida no cérebro e reconstruir a pessoa, permitindo que continue a viver”.
O tempo é um fator crítico para preservar a estrutura detalhada do cérebro, pois minutos após a morte, enzimas e processos celulares começam a degradar neurónios e outros tecidos. Para minimizar esse dano, desenvolveram uma técnica que pode ser aplicada em contextos de morte assistida, permitindo intervenção imediata após a parada cardíaca.
Nos testes com porcos, os cientistas introduziram uma cânula no coração poucos minutos após a morte, removeram o sangue e perfundiram o cérebro com soluções químicas que fixam a atividade celular. Em seguida, aplicaram crioprotetores para impedir a formação de cristais de gelo durante o resfriamento, preservando o tecido a cerca de -32 °C. Amostras do córtex cerebral demonstraram excelente preservação das estruturas microscópicas, incluindo neurónios, sinapses e suas moléculas constituintes, desde que a perfusão fosse iniciada rapidamente após a morte, pode ler-se no ZAP.
Os pesquisadores acreditam que, em teoria, esse protocolo poderia permitir a reconstrução tridimensional do conectoma — o mapa das conexões neuronais —, possibilitando estudar como o cérebro gera pensamentos, emoções e percepções. Até agora, apenas pequenas partes de cérebros de roedores foram mapeadas dessa forma.
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