A candidata presidencial Catarina Martins visitou hoje um centro de reabilitação e integração em Almeirim onde, apesar das dificuldades financeiras, o trabalho realizado diariamente com os 92 utentes com deficiência faz toda a diferença.
No Centro de Reabilitação e Integração de Almeirim (CRIAL) vivem 21 pessoas com deficiência e são acompanhadas diariamente outras 71, entre crianças e adultos.
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Ao longo do dia, têm aulas, terapia ocupacional, atividades de culinária, grupos de dança e de teatro, um trabalho que Catarina Martins visitou hoje e que considerou ser um bom exemplo.
“Vim visitar um bom exemplo, precisamente porque é bom dizermos que há, em Portugal, bons exemplos”, disse, aos jornalistas, acrescentando que a ida àquela IPSS serve também “para dizer que esta resposta é pouca”.
“Portugal tende a não olhar para as pessoas com deficiência como deve olhar. Tende a negar-lhes oportunidades iguais e numa democracia todos temos que ter oportunidades iguais”, defendeu a candidata a Belém apoiada pelo BE.
O trabalho realizado no CRIAL não se concretiza, no entanto, sem desafios, em particular obstáculos orçamentais, explicou o presidente da Direção, que alerta que o financiamento público no âmbito dos protocolos com o Estado não é suficiente.
“Não é suficiente, mas nós fazemos chegar, porque poupamos muito”, explicou José Carlos da Silva, ressalvado que a poupança nunca passa por investimentos na educação e no bem-estar dos utentes.
Por outro lado, o responsável referiu situações em que planos da instituição esbarraram nesses obstáculos, como o projeto de ampliação da residência que permitiria criar mais oito camas, ainda assim insuficientes para dar resposta à lista de espera que todos os dias continua a crescer.
Em declarações aos jornalistas, Catarina Martins explicou que, à semelhança do que vai procurar fazer ao longo da campanha eleitoral, pretende ser uma Presidente da República que mostre “o que mais ninguém mostra para garantir que a democracia é mesmo para toda a gente”.
“Estou aqui para dar visibilidade ao que muitas vezes está escondido, às pessoas com deficiência e aos seus direitos e também a quem trabalha pelos direitos dos outros e que muitas vezes também não é visto e está em situações salariais e de carreiras estagnadas que são injustificáveis no nosso país”, sublinhou.
A visita coincidiu com o dia em que os colégios de ensino especial protestaram em frente ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) para exigirem um reforço de verbas que garanta a escola a 500 crianças e jovens.
À semelhança da CRIAL, também estes colégios recebem crianças referenciadas pelo MECI quando a escola pública não tem capacidade de resposta, mas a falta de financiamento público torna o seu funcionamento cada vez mais difícil.
Questionada, Catarina Martins sublinhou a aposta por melhores condições para a inclusão na escola pública, mas reconheceu também a necessidade de reforçar “outras respostas especializadas de que o país precisa, que existem e que estão a responder onde o Estado não responde”.
“É preciso dar essa visibilidade porque é intolerável continuarmos a ter promessas e nunca termos execuções. É intolerável termos leis bonitas sobre inclusão e depois não termos orçamento para a fazer”, criticou.
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026, com 11 candidatos, um número recorde.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
A campanha eleitoral decorre de 04 a 16 de janeiro.
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