Economia

Casas feitas de cogumelos podem vir a ser uma realidade em Portugal

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 45 minutos atrás em 23-03-2026

Perante o agravamento da crise habitacional em Portugal, com preços elevados e dificuldade crescente no acesso à habitação, começam a ganhar destaque soluções alternativas à construção tradicional.

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Entre os projetos mais inovadores está a Mykor Insulation, que aposta em materiais produzidos a partir de cogumelos como possível resposta sustentável e mais acessível.

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A empresa foi criada em 2021 pelas empreendedoras Olivia Page e Valentina Dipietro, ambas incluídas na lista “30 Under 30” da Forbes. Apesar de ter ligações ao Reino Unido e uma equipa de investigação sediada em Bristol, o projeto tem também uma presença relevante em Portugal, com uma unidade piloto em Montemor-o-Novo, produção parcial no país e operações em Lisboa, como consta na Versa.

A proposta da Mykor surge da necessidade de reduzir o impacto ambiental da construção civil, um setor altamente emissor de carbono e dependente de materiais convencionais como o betão, o tijolo ou isolamentos sintéticos. Em alternativa, a empresa explora o uso do micélio — a rede natural dos fungos — como base biológica para criar novos materiais de construção.

Na prática, este micélio atua como um aglutinante natural, permitindo transformar resíduos industriais em materiais sólidos, leves e com capacidade de isolamento térmico e acústico. Deste processo resultam soluções como painéis isolantes que podem substituir materiais tradicionais, mantendo propriedades como resistência ao fogo e acrescentando vantagens como a biodegradabilidade e a possibilidade de reciclagem.

Segundo a mesma fonte, estes materiais podem ainda reduzir significativamente o impacto ambiental da construção, com menos consumo de água e energia e uma redução das emissões de CO₂ que pode chegar aos 60%. Em alguns casos, podem também revelar-se economicamente competitivos face a soluções sustentáveis já existentes.

Apesar do potencial, especialistas e promotores do projeto sublinham que ainda é cedo para afirmar que este tipo de construção poderá resolver a crise da habitação. Ainda assim, apontam várias vantagens, como a rapidez de construção, a modularidade dos sistemas, a maior eficiência energética e o menor impacto ambiental.

A inovação está a ser acompanhada com atenção no setor, num momento em que se procuram respostas para tornar a habitação mais acessível e sustentável.

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