Saúde

Carvão ativado ou elixires milagrosos são alguns dos mitos virais que prejudicam a saúde dentária

Notícias de Coimbra | 15 minutos atrás em 11-03-2026

Nos últimos anos, as redes sociais consolidaram-se como uma fonte habitual de conselhos sobre saúde e cuidados pessoais. No campo da saúde oral, essa tendência impulsionou a popularidade de práticas aparentemente inofensivas, como o uso de carvão ativado para branquear os dentes, receitas caseiras com limão ou bicarbonato, ou elixires que prometem resultados imediatos. No entanto, por detrás destas mensagens virais escondem-se riscos reais para a saúde oral.

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“A procura por soluções rápidas, económicas e «naturais» responde a um contexto marcado pela superexposição a conteúdos visuais e ideais estéticos muito exigentes. O sorriso branco e perfeito tornou-se um padrão social que, em muitos casos, leva à adoção de hábitos sem base médica”, adverte Pablo Ramos, psicólogo de Blua de Sanitas, empresa ibérica pertencente à seguradora BUPA.

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Dados do Barómetro da Saúde Oral revelam que uma fatia significativa da população apenas recorre ao dentista em situações de urgência, o que torna estas “soluções caseiras” e baratas uma tentação perigosa perante a falta de acompanhamento profissional regular.

“A boca é um ecossistema especialmente sensível, no qual agressões repetidas podem ter efeitos cumulativos. O problema não é apenas que estas práticas não funcionem como prometem, mas também que podem causar danos irreversíveis aos dentes e gengivas.”, explica Antonio Longo, da equipa de assistência e qualidade técnica da Sanitas Dental. “O esmalte dentário não se regenera e, quando se desgasta devido ao uso de produtos abrasivos ou ácidos, aumenta a sensibilidade e o risco de cáries”, acrescenta.

Um dos exemplos mais comuns é o uso de carvão ativado. Embora seja apresentado como um branqueador natural, o seu efeito baseia-se na abrasão mecânica. Ao eliminar manchas superficiais, vai também desgastando progressivamente o esmalte. A curto prazo, pode gerar uma sensação de limpeza, mas com o tempo deixa o dente mais exposto, favorecendo a sensibilidade dentária e um escurecimento posterior.

“Algo semelhante ocorre com os branqueadores caseiros à base de limão, vinagre ou bicarbonato. Trata-se de substâncias altamente ácidas ou abrasivas que alteram o pH da boca e fragilizam a superfície dentária. O uso contínuo destes produtos pode inflamar as gengivas, irritar as mucosas e facilitar o aparecimento de lesões”, acrescenta Antonio Longo.

Para além do impacto físico, estas tendências têm também uma interpretação emocional. “A comparação constante nas redes sociais e a pressão para corresponder a determinados padrões estéticos podem gerar insatisfação com a própria imagem e favorecer decisões impulsivas relacionadas à saúde. Quando a aparência se torna um elemento central de validação social, aumenta a probabilidade de adotar comportamentos sem avaliar adequadamente suas consequências, sobretudo na população jovem”, afirma Pablo Ramos, psicólogo.

Os elixires milagrosos que circulam nas redes sociais também não estão isentos de riscos. Alguns contêm concentrações inadequadas de álcool ou óleos essenciais, o que pode causar secura bucal e desequilíbrios na microbiota oral. A diminuição da saliva reduz a capacidade natural de defesa da boca e favorece a proliferação bacteriana, com maior risco de cáries, halitose e doenças periodontais.

Perante a proliferação destes mitos, os especialistas da Sanitas Dental recomendam desconfiar de soluções rápidas sem base profissional, evitar o uso habitual de produtos abrasivos ou ácidos e consultar sempre um dentista antes de iniciar qualquer tratamento branqueador, seja presencialmente ou por vídeo consulta. O profissional saberá indicar alternativas seguras e com base científica, com um índice de abrasividade (RDA) baixo e produtos de qualidade que incorporem princípios ativos como o PVP ou determinados sistemas de fosfatos, que ajudam a dissolver as manchas sem comprometer a integridade do esmalte, lembrando que manter uma higiene oral adequada, baseada na escovagem com pasta com flúor e revisões periódicas, é a chave para manter uma excelente saúde oral.”Cuidar da saúde oral não significa seguir tendências virais, mas sim adotar hábitos sustentáveis e baseados em evidências científicas, sempre com a supervisão de profissionais”, conclui Antonio Longo, da Sanitas Dental.

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