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Capeados!

Opinião | Amadeu Araújo | Amadeu Araújo | 1 mês atrás em 25-05-2024

A capeia é uma tradição secular, de força e caracter em que um punhado de homens e mulher agarram no forcão e lidam com o touro bravo.

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Uma prática do Sabugal e da Raia, que mostra como os miúdos podem ser essenciais para a evolução do país, percussão dinâmica harmonizada, como aconteceu na Serenata Monumental desta semana, na Sé Velha. Como de costume.

E os costumes importam, dão-nos pertença, logo agora que há, em barda, polícia de costumes. A Serenata iria ser na Sé Nova, rejeitando hábito velho, contudo os fadistas de Coimbra pegaram e arranjaram autorização para uma manifestação. Capearam as restrições, de todos aqueles incapazes de pegar no forcão e com o indulto de uma manifestação, e manifestação era, e soltaram-se as vozes.

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Resistir, ao touro ou à inclemência, é arte que não está ao alcance de todos. Engenho que muito me apraz e coloca esperança nesse futuro que vejo longe.

Encerro, boi da prova, capeia e desencerro, esta é a arte da capeia, bem mostrada, em estratégia sonora, e lá foram os ouvintes por essas paisagens sonoras, melodias de guitarra e trovas.

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Já da capital, estão focados apenas no encerro e a gritar, como se fosse San Fermín e estivéssemos em Pamplona, vem touro. Vem touro e vai ficar encerrado que nos vão tirar a magia de atravessar 28 países em passaporte. Afinal, da mentira se quer fazer mando, a União Europeia lá nos veio garantir que a “suspensão de Schengen não está em cima da mesa”.

Uma chatice para aqueles que tudo vêm mal no passado, que até o querem reparar. Mas não passarão.

Não passarão porque o fim das portagens, cá na província, é apenas para as populações locais.

Uma boa medida para levar o desenvolvimento ao Interior, porque diminui a pegada ambiental, os custos com acidentes e o tráfego em localidades. Bem pregam alguns economistas que não, não é assim, mas temos a infraestrutura, a República tem de pagar o tráfego e não a usamos. Castradores de andanças, estes contrariadores das portagens, em conversa de longa duração.

Convém ver a fotonovela que vem hoje na capa do Correio da Manhã e perceber como a grei se distrai. Tal como o mando, forte nos fracos, fraca nos fortes.

Faz hoje uma semana que o Coletivo Coimbra pela Palestina foi agredido por russos, turistas russos? Beneficiados da hospitalidade, estes andantes foram ao Largo D. Dinis, e começa bordoada.

Uns velhos, que mereciam umas lambadas, mas estamos assim, prenhes de tibieza. Não reconhecemos a Palestina, não ajudamos a contrariar a invasão, ao contrário do que estamos, e bem, a fazer na Ucrânia.

Dois pesos, duas medidas, duas condolências. E muito racismo. Em calhando, talvez precisemos da guarita na fronteira, atalaia de forcão para impedir que estas pessoas venham a um país livre e sóbrio, macaquear quem cá vive, em democracia e não se serve da guerra para exterminar cidadãos nem libertar da prisão governantes encaudilhados.

A viagem vai longa e precisamos do entusiasmo da Secção de Fado da Academia, para aprendermos a evoluir enquanto sociedade.

É um orgulho ouvir esta alma sonora e perceber como ela nos encaminha.

“Há sempre alguém que resiste!”

OPINIÃO | AMADEU ARAÚJO – JORNALISTA

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