Quando uma criança pega num lápis com a mão esquerda, é comum ouvir comentários do tipo: “Lá vai um futuro artista!”.
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A associação entre canhotos e genialidade criativa — de Da Vinci a Hendrix — é antiga e amplamente difundida. Mas um novo estudo vem trazer um balde de água fria nesta crença: não há nenhuma evidência sólida de que canhotos sejam mais criativos do que destros.
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A conclusão vem de uma extensa revisão feita por psicólogos da Universidade Cornell, nos EUA, liderada por Daniel Casasanto. Publicada no Psychonomic Bulletin & Review, a análise percorreu mais de um século de pesquisas, reunindo resultados de quase mil estudos sobre lateralidade e criatividade.
“Os dados não comprovam nenhuma vantagem no pensamento criativo para canhotos”, afirma Daniel Casasanto. “Na verdade, há algumas evidências de que destros são mais criativos em certos testes de laboratório.”
A ideia de que os canhotos são mais criativos sempre pareceu fazer sentido. Afinal, o controlo motor da mão esquerda vem do hemisfério direito do cérebro — a parte frequentemente associada ao pensamento divergente, aquele que gera ideias originais e inovadoras. Mas a ciência não confirma a lógica.
Daniel Casasanto e a sua equipa analisaram resultados de testes como o Teste de Usos Alternativos (AUT) e os Testes Torrance de Pensamento Criativo (TTCT). Em todos eles, os canhotos não apresentaram vantagem significativa — e, em alguns casos, até ficaram atrás dos destros.
O estudo não pretende desvalorizar talentos canhotos. Pelo contrário: reconhece que a criatividade não depende da mão dominante, mas sim da forma como pensamos e exploramos ideias. E, nesse sentido, todos têm potencial criativo — independentemente de qual mão seguram o pincel.
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