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Candidata da coligação “Unir pela Mudança” a Montemor-o-Velho quer “construir o futuro”

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A candidata da coligação “Unir pela Mudança” (PPD/PSD.CDS-PP), Maria João Sobreiro, à autarquia de Montemor-o-Velho em entrevista escrita ao NDC, criticou o papel do atual executivo (PS), mas defendeu que não quer olhar para o passado, mas sim “construir o futuro”. O Notícias de Coimbra deu oportunidade aos candidatos para darem a conhecer melhor as bandeiras que sustentam as suas candidaturas às câmaras municipais nestas eleições.

Notícias de Coimbra (NDC) – Que balanço faz do último mandato? 

Maria João Sobreiro – Inequivocamente uma oportunidade perdida… aos mais diversos níveis ficou-se muito aquém das reais expectativas. O mais dececionante é mesmo a ausência total de uma estratégia abrangente e mobilizadora do concelho. Não se lançaram investimentos verdadeiramente estruturantes para o concelho. As obras em curso são essencialmente de fachada e não se traduzem em melhorias efetivas das condições de vida das pessoas.

Veja-se, por exemplo, as obras em curso na rotunda dos Anjos ou na zona ribeirinha de Montemor. Gastam-se centenas de milhares de euros, mas em termos de valorização dos espaços para a utilização da nossa população as melhorias são reduzidas ou mesmo nulas.

O grande projeto da criação da empresa intermunicipal para as águas e saneamento, a Águas do Baixo Mondego e Gândara (ABMG) que não foi sufragado pelos eleitores, e que foi a bandeira de destaque deste mandato, foi claramente uma opção estratégica errada. Tanto na Câmara Municipal como na assembleia municipal, o nosso voto foi sempre contra. Nunca embarcámos em demagogias fáceis. Pedimos, responsavelmente, para serem estudadas outras opções ou hipóteses mais viáveis de agregações com entidades públicas com outra dimensão e estrutura, mas não nos quiseram dar ouvidos e embarcaram numa aventura com dois concelhos que são muito mais deficitários do que nós.

Numa área vital como a educação o município não esteve à altura do desafio da transferência de competências da administração central, veja-se, por exemplo, o início do ano letivo passado, que foi uma prova clara de impreparação e de falta de noção da responsabilidade.

Na saúde o município foi muito frouxo a defender os interesses das populações, não assumindo intransigentemente a reivindicação junto do estado central da garantia de médicos de família em permanência nas extensões de saúde das freguesias. Terá sido por receio que essa afronta lhes defraudasse a expectativa de ter um lugar na “prateleira dourada”, oferecido pelo Partido Socialista quando terminarem as funções autárquicas? Arrepia-nos pensar quando for concretizada a transferência de competências da saúde com um executivo como o que agora está e terminar o seu mandato.

A falta de apoio ao associativismo, nas áreas do social, do desporto, da cultura, foi deprimente.

Isto já sem falar de autênticas “trapalhadas” como a aquisição e apresentação com pompa e circunstância de uma viatura para Balcão Único Móvel e que, pura e simplesmente, não presta serviço. Ou de um autocarro usado que foi adquirido e que nunca está disponível quando as variadíssimas associações o requisitam.

E, infelizmente, muito mais haveria aqui a enunciar.

No entanto, surgiu sempre uma narrativa oficial “cor-de-rosa”, assente em constantes publicações nas redes sociais. Uma estratégia clara de propaganda exacerbada e continuada, com o objetivo de criar a ilusão. Vive-se para a imagem, para a aparência, fugindo ou ignorando os principais problemas do nosso concelho.

NDC – O que ficou por fazer e, na sua opinião, era prioritário? 

Desde logo a resolução de algumas debilidades ao nível das acessibilidades. Dever-se-ia ter construído uma estrada decente entre a ponte de Formoselha e Montemor, ao longo do Centro de Alto Rendimento, que fosse uma ligação condigna e estruturante de toda a margem esquerda do Mondego à sede de concelho. Lamentavelmente, optaram por alcatroar, apressadamente e atabalhoadamente na véspera das eleições, o caminho existente, para tentar mostrar serviço… ou só para mostrar um camião a passar na televisão. E não nos esqueçamos que, por puro revanchismo político, em 2013 não aproveitaram uma candidatura com 85% de fundos comunitários aprovados para fazerem uma ligação condigna da ponte de Formoselha à ponte das Lavandeiras.

Do mesmo modo que deveria ter sido resolvida a questão da variante à Vila de Arazede, que é um processo que se tem arrastado nos últimos oito anos, com várias versões de projeto, cada vez com piores soluções, e sem fim à vista.

Devia ter sido dada outra dinamização aos parques de negócios e polos industriais, que herdaram de mandatos anteriores. Era crucial atrair investimento criador de postos de trabalho, que permitissem fixar e atrair novas pessoas, e dar outra dinâmica social às nossas vilas e aldeias.

Outro especto fortemente penalizador foi a recusa recorrente em reduzir a taxa de IMI e da Derrama, chumbando as propostas apresentadas pelos vereadores da nossa coligação.

Não é por mero acaso ou por falta de sorte que na última década perdemos mais de 6% da população residente, o que equivale a cerca de 1600 pessoas. E somos um concelho do litoral, localizado entre duas cidades com grande preponderância na região.

Faltou estratégia, faltou visão, faltou competência e ambição.

NDC – O que faria diferente se tivesse sido presidente nestes últimos anos? 

Esta questão dos “ses” acaba por dar sempre uma visão enviesada do que efetivamente é e do que eventualmente poderia ter sido…

E eu e minha equipa estamo-nos a candidatar ao próximo mandato, 2021-2025, não ao mandato de 2017-2021. Por isso, o que está para trás é passado e nos apresentamo-nos ao sufrágio dos eleitores para poder construir o futuro. Então, permitam-me que fale do que queremos e podemos fazer de diferente no futuro e deixemos de julgar o passado.

E no futuro queremos, desde logo, uma postura diferente: ouvir, cuidar e proteger a nossa população. Connosco todos contam! Queremos um futuro para as novas gerações e para as gerações de sempre, para as famílias e para as empresas, com visão e estratégia a médio e longo, pensado, discutido e executado todos os dias do ano.

Responsabilidade social, para que ninguém fique para trás. Responsabilidade económica, para se criarem condições para o investimento e criação de empregos. Responsabilidade ambiental, garantindo coesão e preservação do território, valorizando os recursos naturais.

Queremos um futuro criativo e inovador, que aposte na educação e capacitação da sua comunidade, que reconheça o mérito, a liberdade, a tolerância, e promova a igualdade de oportunidades e igualdade de tratamento.

Queremos que o concelho de Montemor-o-Velho saiba como fixar e receber população, que seja um sítio aprazível para viver, trabalhar ou visitar.

Avançando para objetivos mais concretos e tangíveis: queremos construir uma estrada decente, realço, uma estrada decente entre a ponte de Formoselha e Montemor, ao longo do Centro de Alto Rendimento, que seja uma ligação condigna de toda a margem esquerda à sede de concelho; queremos garantir uma reparação eficaz da estrada que atravessa o campo, entre as Meãs e Formoselha, melhorando as condições de circulação e de segurança; queremos requalificar os pavimentos da antiga EN 111 e criação de uma rotunda na zona das Meãs; queremos criar vias externas – variantes – às Vilas de Montemor-o-Velho, Carapinheira e Arazede; vamos fazer com que o PLIA, em boa hora planeado e infraestruturado nos mandatos liderados pelo PSD, seja uma Zona Industrial e um Pólo Empresarial de referência na região centro; vamos melhorar a protecção social aos nossos seniores e dar-lhes condições para poderem usufruir de uma velhice saudável, activa e segura, com o acesso continuo a atividades desportivas, culturais e bens essenciais e vamos rentabilizar e otimizar os equipamentos desportivos e espaços verdes públicos para estarem disponíveis e em condições de serem utilizados pelos nossos habitantes e visitantes, em momentos de recreio e lazer ou para a prática desportiva.

Resumindo, queremos um futuro que não se desculpe com o passado e que diga mais vezes sim à resolução dos problemas das pessoas.

 

NDC – Quais são as principais propostas que apresenta nesta candidatura e o que as diferencia das demais? 

Ora, no fundo será o seguimento da resposta anterior… As principais propostas do programa eleitoral da nossa candidatura e que nos diferenciam das demais são, essencialmente, reduzir a taxa de IMI para valores na ordem da média da região; criar um serviço de transporte público rodoviário, ligando as diversas freguesias e a sede de concelho, os principais serviços e também às principais ligações ferroviárias, que permita criar mais e melhores alternativas de deslocação entre as cidades de Coimbra e Figueira da Foz; investir na melhoria da qualidade e acessibilidade das instalações da rede de cuidados de saúde; investir na requalificação dos edifícios escolares para os capacitar de forma adequada às evoluções tecnológicas e às necessidades dos tempos actuais; criar um gabinete para apoio ao empreendedor e promoção das zonas de acolhimento de actividades económicas será fulcral para a definição de uma estratégia eficiente e de proximidade para com empresários e empreendedores e apoio local ao desenvolvimento económico empresarial e para a competitividade, apostando na divulgação de oportunidades de financiamento; a realização de presidências abertas por todas as freguesias.

Pretendemos executar uma política clara de proximidade, com presença regular e efetiva em todas as freguesias, para que seja possível concretizar no terreno uma política real de descentralização e transferência de competências, criando um gabinete de apoio ao tecido associativo, juntas de freguesia e às IPSS’s, para realização de candidaturas a projetos financiados pelos quadros comunitários, reformulando o Regulamento de Apoio ao Associativismo, promovendo contratos programa com apoio a novas realidades e necessidades, desenvolvendo programa de divulgação e promoção à escala internacional do Centro de Alto Rendimento (CAR) e de todas as infraestruturas públicas e privadas complementares que o concelho dispõe, envolvendo instituições públicas e as empresas do ramo da hotelaria e restauração, melhorando as condições do espaço atual da Feira de Montemor-o-Velho, construindo o ECO-Museu do Mondego na zona histórica de Montemor (museu com ligação a agricultura, rio, biodiversidade, produtos endógenos) e criando benefícios sociais para quem é bombeiro voluntário no nosso concelho.

 

NDC – Que palavra escolheria para a definir, enquanto pessoa e candidata? 

É sempre difícil e potencialmente tendencioso ser juiz em causa própria… Contudo, posso dar a perspetiva daquilo que tento, genuinamente, ser. Enquanto pessoa, procuro manter sempre a minha humildade, tento ser generosa, solidária, compreensiva, responsável e empenhada em tudo o que me envolvo. Cultivo o valor da amizade e gosto de me manter sempre reservada na vida pessoal.

Na atividade política pretendo pautar-me pela ética, pela honestidade, pela coerência, pela frontalidade, pela objetividade e assertividade.

Enquanto candidata, encaro este papel como uma missão, ao serviço de uma causa, que é servir a população do meu concelho, pondo em prática a ideologia política de que comungo. Quero dar tudo o que tenho e posso pela minha terra, pelo meu concelho. Confio muito na vasta equipa de candidatos que se reuniu em torno do projeto da Coligação UNIR PELA MUDANÇA e acredito no mérito do programa eleitoral que apresentamos a sufrágio.

Desde o primeiro dia em que aceitei este desafio trago sempre presente aquela velha frase batida de Sá Carneiro: «a Política sem risco é uma chatice e sem ética uma vergonha».

Também na “corrida” à Câmara Municipal de Montemor-o-Velho estão: o recandidato pelo Partido Socialista (PS), Emílio Torrão, Miguel António Santos pelo Chega, Daniel Nunes pela Coligação Democrática Unitária (CDU) e João Rui Mendes pelo Bloco de Esquerda (BE).

O ato eleitoral para estas Eleições autárquicas 2021 está marcado para o próximo domingo, 26 de setembro.

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