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Política

Campanha do Chega feita de promessas e à procura da luz verde de Rui Rio

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De norte a sul do país, durante a campanha, o Chega distribuiu muitas promessas, várias delas ausentes do seu programa, em arruadas curtas e comícios longos em que André Ventura procurou sempre pressionar o PSD a aliar-se ao seu partido.

Sempre com o lugar de terceiro maior partido na mira, Ventura foi especialmente crítico do líder do PSD, Rui Rio, e do secretário-geral do PS, António Costa, mas também distribuiu críticas à restante direita e esquerda e até ao antigo primeiro-ministro Passos Coelho, que ainda em dezembro Ventura dizia que, caso quisesse, seria deputado do seu partido.

Apesar das críticas aos sociais democratas, foram várias as vezes em que Ventura apelou a uma direita unida, sentenciando que a ausência de vontade do PSD em dialogar com o Chega pode levar a uma “geringonça de direita morta à nascença”.

Numa campanha ausente de qualquer ação temática (com exceção de um almoço com a antigos combatentes), feita ao sabor dos discursos e de declarações aos jornalistas do presidente do partido, André Ventura, o Chega apresentou uma agenda diária quase sempre seguindo o mesmo estilo: uma arruada curta à tarde e um jantar-comício longo à noite, ora em quintas de casamentos ora em hotéis de quatro estrelas.

Pelo caminho, André Ventura lançou várias promessas.

Só para o primeiro ano de legislatura, comprometeu-se a duplicar as penas por crimes de corrupção, atribuir um subsídio de risco de 300 euros às forças de segurança e outro de 200 euros a antigos combatentes na Guerra Colonial (medida que não está presente nos documentos programáticos do partido).

Num dia apontou como “a medida mais urgente” uma auditoria aos gastos do Governo PS e noutro acabar com todas as portagens no país (o programa do Chega refere apenas as auto-estradas A22 e A23).

Várias das promessas que foi fazendo, ora em discursos, ora no contacto com as pessoas, estão ausentes do programa, como acabar com a taxa de carbono, 2,5% do Orçamento do Estado dedicado ao interior ou o apoio aos cuidadores informais.

Prometeu ainda acabar com observatórios e fundações do Estado – que considera serem “um sorvedouro de dinheiro” -, outra medida que não está no programa e cuja lista de instituições a agência Lusa pediu por várias vezes ao partido, que nunca a divulgou.

A corrupção, o preço da gasolina e as portagens foram temas quase omnipresentes nos discursos de Ventura, ao contrário de outras áreas temáticas como a habitação, a educação ou os transportes públicos, que passaram ao lado da campanha.

Em Aveiro, criticou a ‘subsidiodependência’ mas admitiu desconhecer a realidade do alegado problema, e em Mirandela disse que há políticos a mais, apesar de Portugal ter menos deputados por 100 mil habitantes do que a média europeia.

Nas arruadas, onde chegava e saía num Mercedes preto de vidros fumados, Ventura não recebeu a hostilidade de outros tempos, tendo distribuído abraços, beijinhos e ‘selfies’.

Os percursos eram sempre controlados pela comitiva, que assinalava simpatizantes mas também possíveis críticos do partido, que o líder do Chega, que se autointitulou num comício o “Rocky Balboa do século XXI”, acabava por evitar.

Mesmo assim, Ventura ainda teve que ouvir vozes dissonantes, em interpelações de duas mulheres, que criticavam a sua visão de sociedade.

Em Braga, Fátima pediu-lhe para “deixar de ser racista” e encarar os ciganos como “seres humanos” iguais aos outros, e, em Portimão, ouviu Manuela, auxiliar de ação médica e católica, recordar a doutrina católica do perdão.

Os comícios, cujos discursos começavam sempre depois de o jantar terminar, eram ainda pautados por animação musical, num repertório onde figuravam canções de artistas como Salvador Sobral, que assinou uma carta aberta contra a xenofobia e o fascismo ou Prince, músico andrógeno que era também um ativista contra o racismo.

Num dos comícios de um partido que é contra o que considera a reescrita da história portuguesa, ouviu-se ainda “Sodade”, canção que fala dos cabo verdianos que iam para trabalhos forçados nas roças de cacau e café em São Tomé e Príncipe, durante o Estado Novo.

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