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Câmara de Góis diz que é preciso recuperar o que se perdeu e evitar que se perca mais

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A presidente da Câmara de Góis, Lurdes Castanheira, disse hoje que o município tem pela frente um trabalho em duas frentes, que passa por recuperar o que foi perdido no último incêndio e evitar que se perca mais.

“Temos de trabalhar em duas frentes: recuperar o perdido e evitar que se perca mais. Recuperar o perdido é criar um fundo de apoio às nossas populações, particularmente aos proprietários, para fazermos uma reflorestação rápida”, justificou, em declarações à agência Lusa.

De acordo com a autarca, para terça-feira está agendada uma reunião da Comissão Municipal de Proteção Civil, que servirá para avaliar o incêndio que atingiu o concelho de Góis nos últimos dias, mas também para abordar as medidas a tomar para este verão e época de risco.

“Enquanto presidente da Câmara de Góis, não hesitarei em fazer uma proposta para termos um fundo do nosso orçamento municipal, terei que o criar, para fazermos eventualmente algum investimento em meios e equipamentos que nos possam vir a fazer falta durante esta época de risco”, acrescentou.

Lurdes Castanheira referiu que o trabalho de reflorestação poderá vir a ser apoiado com o trabalho de máquinas e aquisição de espécies, com a condição de que não vão reflorestar única e exclusivamente com eucaliptos.

“Tem que haver uma floresta de multiusos: temos de apostar no eucalipto, no pinheiro, nas folhosas e nas espécies autóctones como o castanheiro, medronheiro e o carvalho. Essa é a nossa condição enquanto câmara municipal”, sustentou.

Para a autarca, “uma mata limpa é uma mata prevenida”, e, no caso de Góis, é o município quem assume toda a limpeza, sobretudo de aceiros e estradões.

“Desde que sou presidente de Câmara, somos nós que assumimos tudo. Conseguimos, às vezes, algumas parcerias com os conselhos diretivos dos baldios e com as juntas de freguesias, mas tem sido o município na linha da frente a assumir todas as despesas com todo o trabalho de prevenção naquele que é o nosso maior património, que é a floresta”, apontou.

Para Castanheira, “o Estado não se pode alhear desta situação”, destacando que, entre março e junho, os municípios de Góis, Pampilhosa da Serra, Tábua, Oliveira do Hospital e Penacova deslocaram-se a Lisboa para reunir com a Autoridade Nacional de Proteção Civil e com o secretário de Estado das Florestas.

“Fomos apresentar proposta de trabalho para que não fossem só os municípios a assumir tudo, mas nós não tivemos feedback e continuamos aqui com uma orfandade total. Se o Estado, que também tem as suas responsabilidades, quiser, deve juntar-se à nossa proposta, que foi aumentar o nosso parque de máquinas e fazermos um trabalho os 12 meses do ano”, sublinhou.

À Lusa, lamentou ainda o facto da questão do ordenamento ter vindo a ser adiada, recordando o incêndio em 2013, em Álvares, que ficou “com toda a freguesia consumida pelas chamas”.

“Fizemos o levantamento de todos os prejuízos e até hoje não tivemos nem ‘feedback’ do trabalho que apresentámos, nem nenhum retorno financeiro. Foi mais uma vez o município que assumiu tudo e o que não assumimos ficaram os proprietários com os prejuízos. Volvidos quatro anos, está praticamente tudo na mesma”, informou.

A autarca defende que o ordenamento da floresta “impõe-se sem medo” e “tem de haver coragem para responsabilizar todas as entidades”.

“Mais do que estarmos a criar grupos de trabalho, que são importantes, pedirmos a demissão da ministra, responsabilizar um conjunto de pessoas e entidades, vamos é assumir um compromisso com as câmaras municipais: deem-nos a oportunidade de provarmos que conseguimos fazer diferente. Deem-nos os meios que nós assumimos uma carta de compromisso e naquilo que falharmos teremos de ser punidos”, concluiu.

Dois grandes incêndios deflagraram no sábado na região Centro, provocando 64 mortos e mais de 200 feridos, tendo obrigado à mobilização de mais de dois milhares de operacionais.

Estes incêndios, que deflagraram nos concelhos de Pedrógão Grande e Góis, consumiram um total de cerca de 50 mil hectares de floresta [o equivalente a 50 mil campos de futebol] e obrigaram à evacuação de dezenas de aldeias.

O fogo que deflagrou em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, alastrou a Figueiró dos Vinhos e a Castanheira de Pera, fazendo 64 mortos e mais de 200 feridos.

As chamas chegaram ainda aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra, mas o fogo foi dado como dominado na quarta-feira à tarde.

O incêndio que teve início no concelho de Góis, no distrito de Coimbra, atingiu também Arganil e Pampilhosa da Serra, sem fazer vítimas mortais. Ficou dominado na manhã de quinta-feira.

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