O presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, José Veríssimo (PS), considerou hoje que a isenção de portagens anunciada pelo Governo “peca por tardio”, mas constitui “um incentivo” e “um reconhecimento” do sofrimento das populações afetadas pela depressão Kristin.
“É um incentivo, é um reconhecimento para aquilo que as pessoas estão a sofrer, acima de tudo”, afirmou o autarca daquele município do distrito de Coimbra, em declarações à agência Lusa, reagindo ao anúncio do Governo de que iria isentar de portagens durante uma semana as zonas mais afetadas pela intempérie.
Questionado sobre se esta medida é suficiente, José Veríssimo frisou que a importância da decisão não se mede apenas em termos financeiros, sublinhando a importância do sinal político dado pelo Governo às populações.
“Eu acho que é muito importante para que as pessoas sintam que o Governo também está connosco”, apontou.
O primeiro-ministro anunciou hoje que o Governo vai isentar de portagens durante uma semana as zonas afetadas pela depressão Kristin, no perímetro que abrangerá trechos da A8, A17, A14 e A19.
A isenção começará à meia-noite e vai estender-se por uma semana, anunciou Luís Montenegro, durante uma visita a uma empresa de Pombal.
Na segunda-feira, a Câmara de Montemor-o-Velho pediu a suspensão temporária do pagamento de portagens na Autoestrada 14 (A14), enquanto se mantiverem os condicionamentos em várias estradas do concelho, na sequência da depressão Kristin.
No mesmo sentido, o presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, Paulo Vicente, reivindicou a isenção imediata do pagamento de portagens no troço da autoestrada 8 (A8) que serve o concelho, entre a Marinha Grande e Leiria.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.